sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Comunicação Social e o Verão Quente de 1975...e Hoje

Por Jorge Seabra   Uma partilha oportuna para memória futura.Não esquecendo os militares presos em Custóias (Porto) e os militares exilados Varela Gomes,Costa Martins,Duran Clemente,Pereira Pinto,Martins Jorge,Jorge Carvaheira,Alvaro Fernandes e outros.MDC
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«A recente onda de histeria da direita mostra quão sensível ela é à quebra das alianças do Verão Quente de 75, continuadas na comunicação social que persiste em falsear a realidade, apresentando como uma ameaça à democracia os que por ela mais lutam e lutaram, antes e depois do 25 de Abril, em Portugal, na Ucrânia, na Síria ou na Venezuela.
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Frank Carlucci, embaixador norte-americano em Portugal entre 1975 e 1978, «acompanhou de perto» o Verão Quente de 1975
Frank Carlucci, embaixador norte-americano em Portugal entre 1975 e 1978, «acompanhou de perto» o Verão Quente de 1975Créditos/ noticiasmagazine.pt
«É que estava a ver cada vez pior, os vermelhos mais desbotados, o rosa mais amarelo e o negro a avançar!…» – dizia-me há dias um velho amigo e grande cirurgião, falando da recuperação da visão após a catarata operada, com a sua ironia política e o eterno sorriso de menino maroto.
E talvez tenha sido este Verão de tragédias e as leituras que se procuram para férias que me levaram a comprar o belo e bem documentado livro Quando Portugal ardeu, do jornalista da Visão Miguel Carvalho, uma revisitação às memórias do «Verão Quente» de 1975 e à onda de crimes da rede bombista que atacou sindicatos e partidos de esquerda, alegando querer restaurar a democracia «ameaçada pelos comunistas».
Estão lá bem documentadas as cumplicidades de insuspeitos «democratas» com a CIA de Carlucci, (condecorado por Mário Soares) e as ligações com a direita salazarenta e revanchista, onde afloram conhecidos bombistas, como Ramiro Moreira (premiado com um emprego na Petrogal e amnistiado por Mário Soares), Manuel Marques da Costa, o «Águia», Teixeira Gomes e o Ângelo «de Trancoso», industriais nortenhos como Rui Castro Lopo, Abílio de Oliveira e Joaquim Ferreira Torres, este último, silenciado a tiro por cúmplices, numa emboscada.
Estavam também envolvidos altos comandos militares, como o comandante da Região Norte, Brigadeiro Pires Veloso, chefes da PSP (Major Mota Freitas) e da PJ (Inspector Júlio Regadas), e figuras gradas da Igreja, onde se destacam o arcebispo de Braga e o Cónego Melo, este último com direito a estátua na cidade, talvez por dizer «Deus abençoe as vossas mãos» aos bombistas do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal, de extrema-direita).
Entre muitos outros, a rede incluía membros do Conselho da Revolução, como Sanches Osório e Canto e Castro, e da Junta de Salvação Nacional, como o general Galvão de Melo e o ex-presidente da República, general Spínola, que comandou, a partir de Espanha e da Suíça, o terrorismo bombista do MDLP, e que afirmou querer «eliminar fisicamente» os comunistas a Günter Wallraff, jornalista alemão que se fez passar por traficante de armas, sendo depois premiado pelo 25 de Novembro, que o elevou a Marechal.
Agentes estrangeiros, essenciais «à festa», também não faltaram.
Para além do chefe da orquestra, o embaixador dos USA, Frank Carlucci (mais tarde chefe máximo da CIA), de Guérin-Sérac, «Morgan» (ex-OAS e director da Aginter Press fascista) e Jay Salby, o «Castor», outro importante agente da CIA, até o ex-oficial nazi Otto Skorzeny, mítico «herói» da libertação de Mussolini, entrou no conluio vendendo armas à direita fascista do ELP (Exército de Libertação de Portugal).
A esta amálgama unida no «anticomunismo» (ou no «anti-PCP»), também se juntou a esquerda dita «radical», infiltrada, como o PRP/BR, onde militava Artur Albarran (mais tarde locutor da TV e sócio de Carlucci num negócio imobiliário), ou o MRPP, de Arnaldo Matos.
«até o ex-oficial nazi Otto Skorzeny, mítico «herói» da libertação de Mussolini, entrou no conluio vendendo armas à direita fascista do ELP (Exército de Libertação de Portugal).»
Este último, para além de «viver à larga» – «…são como um saco para onde o dinheiro é atirado, não se sabe por quem…», no dizer de Saldanha Sanches, então seu dirigente dissidente –, trabalhava contra «os revisas do PC», colaborando na preparação do golpe de 25 de Novembro, mantendo contactos «discretos» com Soares, Eanes e Sá Carneiro, que publicamente atacavam com a senha habitual.
Essa duplicidade e ajuda à contra-revolução, foram também alegremente confirmadas pelos seus militantes de então, Ana Gomes (agora PS) e Fernando Rosas (BE), em entrevista ao programa «Baseado numa história verídica» do canal Q, de 7 de Julho de 2017.
Nesta cena de enganos, com centenas de ataques a centros de trabalho e sedes de partidos da esquerda, com mortos em carros, casas mandadas pelos ares e bombas na embaixada de Cuba que causaram duas vítimas, todos – da CIA de Carlucci às «fundações» da social-democracia europeia, dos Espírito Santo, Mello e Champalimaud aos fascistas do ELP, do MDLP, da CODECO e da Aginter Press, dos mercenários da FLNA de Holden Roberto e Chipenda aos «moderados» do PS, PSD e CDS, incluindo os «revolucionários» do MRPP e do PRP/BR – apoiaram implícita ou explicitamente a onda de terror contra sindicatos e partidos de esquerda, tendo como alvo a CGTP, MDP, UDP e PCP.
Vale a pena rever os acontecimentos desse Verão de 75, agora com mais informação e com os olhos que o tempo nos dá, para percebermos que, quando pensamos saber tudo o que o diabo amassou, descobrimos que foi ainda pior, que a violência foi mais extensa e brutal, que a mentira foi mais descarada e perversa, que a «vaga de fundo do povo português» (como dirigentes do PPD, CDS e do PS lhe chamavam) foi mais encenada e planeada, misturando política e marginalidade, anticomunismo e puro roubo, fanatismo e trafico de divisas, tudo na maior impunidade, com homens de charuto em hotéis de luxo e jantares em tascas com «mulheres e vinho», a que nem sequer faltou a exploração dos operacionais que recebiam migalhas dos muitos milhões «doados» para a «libertação de Portugal».
Ler o livro Quando Portugal ardeu, que completa outras importantes obras sobre o tema, como O 25 de Novembro a Norte – O processo Revolucionário no ano de 75, de Jorge Sarabando Moreira, levanta também a ingénua pergunta se tudo não teria sido diferente caso os intervenientes dessa conspiração contra os avanços de Abril não tivessem então escondido e negado o que hoje é, pelos próprios, afirmado sem pruridos e até com orgulho, confirmando factos e cumplicidades que, na época, pareceriam inacreditáveis ou fruto de uma doentia teoria da conspiração.
E, no entanto, houve gente com coragem que investigou tudo, descobriu tudo, que desmascarou tudo, homens honestos, como a PJ de Álvaro Guimarães Dias, Matos Fernandes, Mouro Pinto, Vaz Tomé, Lopes Duarte, o coronel Ernesto Ramos e colaboradores da PJ militar, e da SDCI, a informação militar, do Capitão de Mar e Guerra Rodrigues Soares e camaradas, estes últimos presos logo a 26 de Novembro.
«Apesar do significado intrinsecamente antidemocrático da onda terrorista, para alguns dos testemunhos do "centro" e da "esquerda moderada", tudo se passou como se essa conjura constituísse apenas uma fase sombria mas incontornável da nossa democracia»
Gente impoluta que correu enormes riscos, enfrentando ameaças vindas de fora e das próprias instituições a que pertenciam, a que o País nunca agradeceu devidamente.
Apesar do significado intrinsecamente antidemocrático da onda terrorista, para alguns dos testemunhos do «centro» e da «esquerda moderada», tudo se passou como se essa conjura constituísse apenas uma fase sombria mas incontornável da nossa democracia e, por isso, ética e politicamente aceitável.
Nesta encenação, entra também o «cerco» ao 1.º Congresso do CDS no Porto, invocado símbolo da vocação ditatorial dos «comunas», acontecimento organizado e convocado por militantes de todas as origens (Juventude Socialista, LCI, LUAR, PRP-BR, OCMLP…), menos pelo PCP (!), que, em comunicados e nas palavras de Álvaro Cunhal, «não organizou, não participou e não apoiou as manifestações» contra o congresso do CDS.
Apesar disso, para os media nacionais e internacionais, o badalado «cerco» passou a ser a prova incontestável da falta de sentido democrático do PCP, (o Daily Telegraph dizia que «reflectia uma técnica comunista clássica»), assumindo ainda hoje, a direita, o papel de virginal vítima, enquanto, por trás do pano, organizava a onda de incêndios, atentados à bomba e fuga de capitais que preparou o 25 de Novembro.
Chegou-se até a querer «dividir» o país com uma zona «livre», a norte de Rio Maior, terra das célebres mocas (símbolo da sua «democracia»…), com o governo de Mário Soares a ameaçar «fugir» para o Porto, onde ficaria protegido «dos vermelhos» pelo ELP e pelo MDLP de Alpoim Galvão e Spínola, com a bênção do Cónego Melo.
António Taborda, prestigiado advogado e um dos defensores das vítimas da rede bombista, mais de 40 anos depois, ouvido por Miguel Carvalho, concluiu:
«Para mim, estava tudo harmonizado entre o embaixador norte-americano Frank Carlucci, o Mário Soares, o MDLP, o ELP e a arquidiocese de Braga».
Como dizia Ramiro Moreira, o bombista-mor: «Era tudo anticomunismo! Era uma festa!».
Talvez essa experiência nos permita perceber melhor como se organizam e desenvolvem «revoltas» como a da Praça Maidan, na Ucrânia, ou os boicotes e as violentas manifestações anti-governamentais na Venezuela.
Em Portugal, a «guetização» do PCP e da esquerda à esquerda do PS, mantida desde o 25 de Novembro de 75, só nas últimas eleições foi em parte quebrada com a inflexão do PS, forçado a abrir a negociação das condições mínimas para a viabilização parlamentar de um governo socialista, na sequência do repúdio eleitoral da política dos governos da troika.
O fim do sequestro da democracia pelo chamado «arco do poder» do PS, PSD e CDS representou, por isso, uma derrota maior dos que acobertam a defesa dos interesses do grande capital com a instrumentalização de mentiras e preconceitos anticomunistas.
A recente onda de histeria da direita (ver artigo de João Miguel Tavares «Somos todos demasiado tolerantes com o PC» – Público, 8/7/17) e a desesperada invenção do «diabo» que faltava, chegado numa manhã de fumo ou de nevoeiro com a exploração ad nauseam da tragédia de Pedrógão (cavalgando as dificuldades criadas pela sua própria política de privatização e desinvestimento nos serviços públicos), mostram, para além de enorme hipocrisia, quão sensível ela é à quebra das alianças do Verão Quente de 75, continuadas na comunicação social que persiste em falsear a realidade, apresentando como uma ameaça à democracia os que por ela mais lutam e lutaram, antes e depois do 25 de Abril, em Portugal, na Ucrânia, na Síria ou na Venezuela.
Também por isso, é difícil compreender os que, afirmando-se críticos da política agressiva e de pilhagem neocolonial da União Europeia e dos USA no Médio Oriente ou na América Latina, cedem à pressão da contra-informação da direita dando crédito à velha receita dos «Verões quentes» da CIA, pondo-se ao lado dos Spínolas e Cónegos Melo locais e das orquestradas campanhas contra governos eleitos que procuram defender as populações dos seus desígnios de rapina.»   JORGE SEABRA

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

VALGARIFE .....o grifo

VALGARIFE ou VAL do GRIFO, ALMADENA -LUZ  (sítio dos Vales)

Mini conto talvez triste ou só não?

Aqui se plantaram árvores e sonhos...e se forja o tempo em que se  descobre que se pode "morrer" mais cedo...sendo já tarde; a dum Sol posto entediante que começa a cegar-nos.

Sempre gostei da terra, do verde das searas,das plantas penetrando o céu baixo com várias cores e lembranças...competindo com o mar que sobe e baixa as suas límpidas ondas  ora azuis,ora esmeraldas.

Terra verde ,mar azul efémeros...

... podem secar -se, podem matar-se .....pois nem as lágrimas doridas chegam (ou chegaram) a tempo de as salvar...Aconteceu.  Manuel Duran Clemente













terça-feira, 11 de julho de 2017

Ataque às FAs por causa de Tancos?

Ataque às Forças Armadas? Por causa de Tancos?
Mas quem inventou isto?Abater uma árvore podre não é abater a floresta.

O que se passou em Tancos,queiramos ou não ,é um erro de certos militares.Não vejo que estejam em causa todas as Forças Armadas.Este corporativismo bacoco só interessa a quem tenha culpas no cartório.

As espadas de meia dúzia de militares caducos e fanáticos nunca representaram todas as Forças Armadas e bem assim as demissões idiotas de dois generais raivosos de vingança.Esses sim afectaram mais a dignidade das Forças Armadas. 

As Forças Armadas em si terão sempre o respeito e consideração do Povo que ajudaram a libertar em 25 de Abril.Mas e até por isso têm alguns hipócritas adversários.Mas não confundir erros de operacionalidade com desgaste das Nossas Forças Armadas se continuaram com o espírito de Abril.Lutar por isso é nossa obrigação. Defender erros já não é. Haja por isso averiguações honestas. MDC.
















terça-feira, 4 de abril de 2017

Serviço Militar Obrigatório ou SOC/Serviço Militar Cidadão (texto partilhado)

Texto de Jorge CG
LOGROS EM QUE CERTAS ESQUERDAS CAEM QUE NEM ‘PATINHOS’

Não sei se terei espaço (e paciência hoje) para aprofundar o tema, uma vez que os próprios exemplos dariam já por si um ‘artigo’ extenso [a propósito: isto é mesmo um artigo e não um ‘post facebookiano’, portanto adverte-se que é longo e sem soundbytes…].
O que me motivou escrevê-lo foi essa tremenda confusão sobre a questão do Serviço Militar Obrigatório, a que muito boa gente reage com uma inocência primária e ideologicamente contaminada pelo apregoado “neoliberalismo” (em realidade transformado no mais puro tecnofascismo), julgando que está a ser “pacifista” ou a defender “direitos de liberdade”. Compreende-se a confusão por falta de esclarecimento e o exercício de pensar bem nas coisas, com profundidade. Ou estar atento, como nos alerta Chomsky, para não ficar por aquilo que nos dizem, mas perceber do que nos querem convencer… Razão porque – para grande escândalo na época, há mais de 30 anos – o exímio linguista e não menos exímio pensador advertia que é mais ‘fácil’ detectar a verdade (ou pelo menos perceber onde está a mentira) numa sociedade totalitária do que numa sociedade dita democrática. É que enquanto nesta “acreditamos” que aquilo que nos transmitem é informação de factos (sendo a mais pura manipulação e muitas vezes completa mentira), nas ditaduras não estamos à espera de que nos digam a “verdade” e procuramos interpretar o que a mentira dita quer mesmo dizer…
A este propósito faço um parêntesis para explicar uma crítica que me é (injusta, mas compreensivelmente) feita: a de que sou muito crítico com as esquerdas. É parecido. É que das direitas já estou à espera que seja o que é, das esquerdas é que surpreendem (e às vezes indignam) certas coisas. Ou mesmo o que me parece uma completa contaminação do “grande buraco negro ideológico”, felicíssima expressão de Júlio do Carmo Gomes no texto que estou a interpretar no Pinguim (Porto) até esta quarta-feira.
Antes de mais nada: a discussão e eventual recuperação do Serviço Militar Obrigatório (a que prefiro chamar Serviço Militar Cidadão e já explico porquê) não representa como se apregoa “um retrocesso”. Esse é, desde logo, o primeiro logro, semântico. É uma trapaça lexical que é a irmã gémea de chamar “reformas estruturais” à destruição de serviços básicos do Estado em proveito de privados; ou falar de “privilégios” quando se quer simplesmente retirar direitos aos trabalhadores; ou considerar que a defesa de valores que a Humanidade construiu durante milénios é “conservadorismo”. Esta capacidade das extremas-direitas do capitalismo especulativo e financeiro em se apropriarem de conceitos criados com um sentido e logo usados noutro, espelha-se sem margem para dúvidas, para quem esteja atento, na célebre frase do Maio de 68 “é proibido proibir”, que na altura seria tomada para quem a repetia como um grito reclamando a transformação de uma sociedade muito fechada em moralismos numa sociedade de respeito pelas opções pessoais e individuais de liberdade. Mas que hoje serve de capa para ocultar a predação sem limites de todo o tipo de falta de ética na política, no trabalho, no comportamento social, na responsabilidade individual dos actos privados, da sobreposição de um “eu pós-moderno” ao “nós colectivo” contido no “eu moderno” do século XIX e que, provavelmente, no Maio de 68, se queria reforçar em função de novas realidades.
No caso do SMC (Serviço Militar de Cidadania), desde que salvaguarda a garantia das VERDADEIRAS (não oportunistas) objecções de consciência com um veredicto que inclua o mesmo tipo de objecção extensível a outros campos, como até já nalguns casos era antes da profissionalização das FFAA, defendo sem margem de hesitação o SMC (Serviço Militar Cidadão), a que dou este nome por devolver à população um dos instrumentos principais de garante de soberania do país e de salvaguarda de oligarquias ou plutocracias, garantes de cidadania portanto. De forma exemplificativa e muito simples, passo a evocar que, por exemplo, sem um SMP (Serviço Militar Profissional) nunca teria sido possível que a Anaconda e a ITT promovessem – pelo menos com tal ferocidade e facilidade – o golpe de Pinochet contra Salvador Allende; da mesmíssima forma que a inexistência de um (então sim) SMO em Portugal nunca teria proporcionado – pelo menos nos termos em que permitiu rapidamente politizar uma revindicação corporativa de capitães – o derrube da ditadura em 25 de Abril. Ou, apenas para ajuntar, na mesma lógica, Videla na Argentina, Coronéis no Brasil ou Estados Unidos no Vietnam versus militares no Peru, queda do negus da Abissínia ou de Ceausescu na Roménia.
A ideia associada às FFAA como elemento repressivo do capital não é, de facto, em geral abstracto, um erro. Trata-se de um dos instrumentos do aparelho de Estado para reprimir e garantir a manutenção do Poder, em função da sua natureza. Porém, onde o SMO deu lugar ao SMP a questão, mesmo sem os extremos dos exemplos invocados, permite que o primeiro seja, pelo menos, um “regularizador”, um “moderador” nas tentativas mais “duras”. Este facto, comprovado historicamente como tendencialmente abrangente, torna-se ainda mais relevante quando o tecnofascismo fica cada vez mais com o “controlo quase a 100%” de todos os instrumentos de soberania nas mãos.
Salvaguardar, como se disse, a verdadeira objecção de consciência não deve ser confundido nem com o oportunismo de fugir às responsabilidades sociais para com a colectividade, nem, no inverso, com uma oposição a um SMC. Os verdadeiros objectores de consciência, para lá de limitações óbvias como o direito ao uso e porte de arma, à penalização suplementar a penas derivadas do exercício da violência física, a interdição a integrar profissões similares às FFAA (polícias, segurança privada, etc.), deveriam prestar um outro serviço cívico (A SÉRIO) de interesse colectivo, sem que tal constituísse uma forma de diminuição de postos de trabalho. Por exemplo: integração em operações de resgate civil na Marinha, nos Serviços de Emergência Médica em Pandemias ou Epidemias, prevenção e combate aos fogos florestais, operações de resgate de pessoas e animais em perigo, acompanhamento de doentes sem autonomia e/ou em apoio solidário quando em estado terminal, detecção de casos de violação de direitos humanos em instituições de menores, apoio social de acompanhamento à terceira idade em habitações solitárias, 'batalhões' de vigilância e denúncia de violência doméstica encoberta, integração na APAV… Etc..
Assim, não há-de ser muito difícil perceber – se se substituírem chavões ou pretextos para fugir à responsabilidade colectiva – que um SMC ou mesmo SMO (com a tal salvaguarda antes citada) é uma imperiosa necessidade de garante da soberania nacional, como o é o de poder ter um banco emissor, por exemplo. Deixar nas mãos o “poder de fogo” de um SMP é muito idêntico a permitir que o Orçamento de Estado tenha de ser aprovado pela Comissão Europeia ou que a resolução de situações financeiras como se colocam, mormente na banca, dependam da “concordância” do Banco Central Europeu.
Este logro em que caem certas esquerdas é o mesmo em que se cai facilmente ao passar a discussão da “crise venezuelana” para o formalismo da “violação constitucional” das medidas de Maduro. Sem defender, nem atacar Maduro e muito menos me poder pronunciar sustentadamente (por desconhecimento) sobre de que lado estão “razões” na Venezuela efectivamente dividida, o que me parece carecer de discussão prioritária é saber o que, de fundo – política e economicamente E PORQUÊ – está em causa. A questão formal da “violação constitucional” para tomar partido levaria a também a ter de condenar a “violação constitucional” que o MFA fez em 25 de Abril de 1974, que os bolcheviques fizeram em 1917, que se deu na Implantação da República em vários países, mesmo a da Independência de Colónias que eram território francês, inglês ou outro qualquer, a Declaração da Independência dos Estados Unidos, quiçá a Revolta de Spartacus ou a subversão da Lei Mosaica por Jesus Cristo! Ou que com a mesma leveza se se recusa, em nome de restrições às liberdades em Cuba, integrar uma Comissão de deslocação de Estado a Havana, mas se senta (para combater, que seja), no Parlamento Europeu, onde se aprovam medidas de restrição às liberdades nacionais das Nações, que quer dizer a autonomia de decisão dos seus próprios povos. Ou como se pretende justificar tal pureza de princípios com um conceito vago (“burguês” se diria antigamente) de liberdade, mas não se modera a emoção para aplaudir de pé o obreiro da morte do PREC e responsável principal pela nossa actual submissão à UE (leia-se Alemanha e França), amigo de Carlucci…. Etc….
Mas fiquemos por aqui, até porque dito assim pode parecer que é um “ataque” especialmente dirigido ao BE, quando na verdade, para que não subsistam ilusões, sobre isso, relembro como me manifestei publicamente contra um outro logro, ao caso do PCP, para “justificar” a cleptocracia e desrespeito pelos mais elementares direitos humanos em Angola do dos Santos. Ou como considero vergonhosa a espinha dobrada do PS perante Merkell e Hollande ou Juncker...
São logros em que – mesmo quando em boa-fé – se pagam caros. Como o de acreditar nas “Primaveras Árabes” sem mais, sem juízo crítico e observação da infiltração (quando não preparação) das mesmas como pretexto para destruir Estados e antigos aliados até e destruir o Estado para maiores proveitos na indústria de guerra, da construção civil, do petróleo e da dominação militar (feita por profissionais à mistura com mercenários sem exército nacional próprio, no “mercado internacional”) do Mundo. Ou tantas outras que, como disse no início, seria infindável tratar e mesmo continuar a elencar.
Ficará para outras oportunidades em que a questão se ponha na ordem do dia.
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quarta-feira, 29 de março de 2017

O 25 de Novembro a três dimensões...e não só....!!!

O 25 de Novembro a três dimensões...e não só....!!!
Acabei apenas por fazer uma introdução de cerca de 9 minutos não tendo tido tempo para explicar que ao contrário do que depois soubemos todos estes actos foram considerados como sendo o "famoso golpe de esquerda".Felizmente tantos anos passados está claro que o golpe foi feito por um conjunto de oficiais superiores (coronéis ou tenente coronéis) apoiados pelo grupo dos nove.Hoje alguns estão pouco satisfeitos com o rumo que o país tomou.
Mas na Ultima revista VISÃO,o ex-PR e Gen. Ramalho Eanes relata bem como partiu para comandar as operações, sempre com a velha desculpa que era preciso contra-atacar o Golpe de Tancos e da RTP....e da tomada do Comando da Força Aérea em Monsanto...A RTP apenas esteve comigo para permitir que os para-quedistas justificassem a sua tomada de posição durante a noite de 24 para 25.
Em 1976, meio ano depois,o então Comandante Gomes Mota edita o seu livro "A RESISTÊNCIA:um verão quente" e nele confessa claramente quem faz o golpe,quem o comandou e contra quem.Também no meu pequeno livro "Elementos para a Compreensão do 25 de Novembro", editado em Fevereiro de 1976, deixo muitas pistas para os investigadores sérios analisarem sem os difíceis constrangimentos egocêntricos ou facciosos. Não se percebe porque os verdadeiros autores do golpe não o assumem,depois de terem tido a coragem de andar a passear,pelas ruas,sem qualquer resistência da dita esquerda.Foram apenas esbarrar com o Regimento da Policia Militar e ...até tiveram receio de ir ao Lumiar atacar as minha forças.Deram a volta no Estádio da Luz e foram cortar a antena em Monsanto.
Melo Antunes é fundamental na noite de 26 de Nov. ao ter o bom senso de evitar maiores represálias com as suas declarações na RTP.Antes porém Rosa Coutinho e Martins Guerreiro evitam que os fuzileiros saiam de Vale do Zebro.Estava finda a tão propagandeada guerra civil....da Comuna de Lisboa.

Ver no google  Arquivos da RTP  25 de novembro   Entrevista a M.Duran Clemente no dia e em 1975. 

arquivos.rtp.pt/conteudos/o-golpe-do-25-de-novembro/

segunda-feira, 20 de março de 2017

Duran Clemente capitão de Abril Percurso

Manuel DURAN CLEMENTE

Um dos Capitães de Abril

Nasceu em Almada em 28 de Junho de 1942.
Seu pai é natural de Capinha(Fundão) e sua mãe de Redondela/Pontevedra(Galiza)

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É um dos capitães da génese clandestina do Movimento de Capitães.

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Cursou o ensino técnico e liceal nos Pupilos do Exército.Ingressou na Academia Militar em 1961.Licenciou-se em Administração. Teve vários cargos, militares e civis, na área administrativa, financeira e de gestão.
Foi promovido a Capitão em 1968.
Foi-lhe atribuído o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis (02.10.1971)
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Antes da Revolução conheceu S.Tomé , Angola, Moçambique  e Guiné-Bissau, tendo estado, em comissões militares na guerra colonial, nestas duas últimas ex-colónias.

Solidariza-se, em 1969, com o movimento MDP/CDE. Tem reuniões clandestinas entre 1969 e 1973.Em Abril de 1973 contesta publicamente em Aveiro, no Congresso da Oposição Democrática, o regime ditatorial, onde distribui um manifesto político.
Como consequência da apresentação deste documento à hierarquia militar (onde, além de criticar a falta de liberdade e a guerra colonial, requer o abandono das Forças Armadas)  o Capitão Duran Clemente sofre como “punição” a deportação/mobilização para a Guiné-Bissau onde chegou em Julho de 1973.
Teve então oportunidade de desenvolver o processo conspirativo, já iniciado em Lisboa, logo após a sua chegada à capital guineense.
(Ver publicação sobre o seu desempenho no inicio e desenvolvimento do Movimento de Capitães nesta colónia, no depoimento no Livro Conquistas da Revolução editado pela ACR em 23 de Abril de 2014 ou no seu blogue omirantealmirante2.blogspot.com e no recente livro editado por Jorge Golias)
É aí, em Bissau, que promove a constituição de um dos primeiros núcleos clandestinos e onde se iniciaram reuniões alargadas dos Capitães. Desde a primeira dessas reuniões contou com a presença de alguns militares (que depois ficaram mais conhecidos) tais como Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia, Matos Gomes, Jorge Golias e Faria Paulino.

O Capitão Duran Clemente é um dos quatro autores da carta subscrita por cerca de cinquenta capitães (em guerra na Guiné) dirigida ao Governo, em Agosto de 1973, pondo em causa o sistema e deixando já antever uma tomada de posição de força.
Só depois deste acto se realiza em Alcáçovas a reunião de mais de 130 capitães no Continente e se iniciam manifestações semelhantes em Moçambique e Angola.
É eleito para a primeira Comissão Coordenadora do movimento de capitães com os capitães Matos Gomes, Almeida Coimbra e António Caetano/Sousa Pinto.

Durante o período de preparação do 25 de Abril é o elemento de ligação ao MFA/Continente, a Hugo dos Santos e Vasco Lourenço, isto é, entre a Guiné e Lisboa.
Promove-se, nessa ocasião (Agosto/Setembro/73)  o alargamento da conspiração à Marinha e Força Aérea.
Destaca-se pela acção intensa que teve no “recrutamento” de militares/capitães, não só do Exército como da Força Aérea e da Marinha, no envolvimento nas acções conducentes ao acto libertador que estando mobilizados na Guiné, iam regressando a Portugal, (no fim das suas comissões de guerra de dois anos) entre Julho de 1973 e Março de 1974.
Exerce também missões de ligação a militares “não profissionais” (milicianos) na fase conspirativa, tais como Barros Moura e Celso Cruzeiro (antigos dirigentes académicos), entre outros, que viriam a ter colaboração significativa no equilíbrio das soluções futuras, já depois da alvorada libertadora.

Duran Clemente com os oficiais organizados tomam o poder também em Bissau e em toda a Colónia, no dia 25 de Abril, colocando nos postos chaves, militares de confiança e integrados no espírito do Programa MFA depois de sanearem e “remeterem” para Lisboa, nos dias seguintes, os oficiais superiores conotados com a ditadura, tais como o General Bettencourt Rodrigues Governador e Comandante-Chefe e outros adeptos do sistema.

Esta atitude na Guiné estava integrada na operação global e serviria sempre de reserva a qualquer eventual malogro das acções então planeadas e a decorrer no Continente.
A tomada de posição na Guiné,felizmente, não foi necessária para se impor como “moeda de troca”, porque a Revolução vingou em Lisboa mas reforçou-a e consolidou-a, sobretudo no referente ao processo pacífico de descolonização. A pressão do MFA da Guiné é importante. A colónia já estava reconhecida como país independente por uma centena de países. Mas Spínola e outros faziam contra-vapor em Lisboa.O processo de descolonização da Guiné iria decorrer sem incidentes sob a chefia de Carlos Fabião e do acompanhamento da coordenação do MFA/Guiné, a partir de 7 de Maio  e até 15 de Outubro de 1974.


Foi no período de transição nomeado pelo MFA para Director do único Jornal “A Voz da Guiné” que se constituiu como mais um agente de dinamização e esclarecimento no processo em curso, sobretudo na cidade de Bissau.

Após a Lei 7/74 (reconhecimento do direito das colónias à independência) e do comunicado conjunto ONU/PORTUGAL (a 4 de Agosto) em que se reconhece a Guiné-Bissau como Estado independente, participa em várias acções de preparação e transferência de poderes no território da Guiné e integra missões de contacto e acolhimento dos primeiros dirigentes do PAIGC, tais como Luís Cabral, Manuel dos Santos, Vasco Cabral, Julio Carvalho, Juvêncio Gomes, Francisco Mendes, Pedro Pires e outros.

Já antes, de Maio a Julho, por acções legitimadas pelo MFA e por Carlos Fabião e pelo decurso dos processos de negociações, de (Londres e Argel) é alvo de perseguição pelo então General A.Spinola, sobretudo depois duma entrevista dada em Agosto,em Bissau, à RTP (a J.Letria) denunciando que militares portugueses e guerrilheiros do PAIGC já confraternizavam com normalidade. Chegou a ser chamado a Lisboa e a receber ordens para encerrar o Jornal; acções a que se opôs o Governador Carlos Fabião que, apesar de considerado militar "spinolista",após chegado a Bissau em 7 de Maio, opta definitivamente pelas posições do MFA.

Como convidado pelo PAIGC esteve, em Madina do Boé, nas comemorações do primeiro aniversário da independência da Guiné Bissau,em 24 de Setembro de 1974.

Com o processo na Guiné resolvido em 15 de Outubro de 1974 (data do regresso a Lisboa do ultimo contingente militar português) o Capitão Duran Clemente regressa a Lisboa onde, com um grupo significativo de oficiais que se tinham distinguido em Bissau, integram a 5ª Divisão  do Estado Maior General das Forças Armadas.
Aí se organizam numa das estruturas mais destacadas no Processo Revolucionário até ao 25 de Novembro de 1975.
O Capitão Duran Clemente foi, nesta estrutura, um dos responsáveis pelo Centro de Esclarecimento e Informação Pública coordenando programas de Rádio e Televisão e integrando a redacção do Jornal quinzenal “ O Boletim do MFA” editado durante um ano ( 25 exemplares ).

Na sua actividade, extra militar,  é ainda em 1974 convidado para Vice-Presidente da Associação de Amizade Portugal / Guiné-Bissau ,associação que viria a constituir-se formalmente em 1977 e a cujo acto eleitoral assiste Pedro Pires. Rogério Paulo e Duran Clemente são eleitos Presidente e Vice Presidente desta Associação.
  
Foi Secretário-geral da Assembleia do MFA sendo dela seu porta-voz depois do 11 de Março e até Setembro/75 (Tancos).
Na data de 11 de Março/75 aos microfones da então Emissora Nacional alerta o País, durante o noticiário das 13.00, da invasão do RALIS e do golpe que Spínola perpetrava.
Os avisos feitos são fundamentais ao alertar os próprios militares envolvidos em eminente confronto junto ao RALIS (paraquedistas e artilheiros).

Está pouco divulgado que por esta acção é dos raros oficiais que no período revolucionário é formalmente “louvado” pelo Chefe do EMGFA e Presidente da Republica /General Costa Gomes.

Mantém-se firme nos seus princípios e convicções no período mais conturbado do PREC, nomeadamente no chamado “Verão quente” revelando-se como “gonçalvista” assumido.

Quis o destino que fosse a última voz do Movimento das Forças Armadas (revolucionário) em 25 de Novembro de 1975, ao defender a revolução nos ecrãs da Televisão.

Após este acontecimento recusou submeter-se ao mandato de captura e ser preso no Portugal democrático.

Esteve ausente do país, exilado em Cuba e na R. P. Angola durante dez meses. Regressou em 9 de Setembro de 1976, foi expulso administrativamente do Exército. Foi reintegrado, quatro anos depois, por decisão Judicial, após amnistia, sendo promovido a Major e posteriormente reformado "compulsivamente".

Três  anos depois de ter sido  aprovada( em 1999 ) a Lei que impôs a reconstituição das carreiras aos militares que pela sua intervenção em 1974 e 1975 foram afastados e “perseguidos”, ascendeu  ao posto de Coronel (reformado) .Posição que deveria ter desde 1991 e que a Lei só repôs em 2002.
  
Exerce, desde 1977, ou seja nos últimos trinta e cinco anos, a actividade de consultor na área de administração, gestão, planeamento e organização  e desenvolvimento regional, tendo apoiado a cooperação portuguesa na Guiné-Bissau onde chegou a ser consultor por parte da Comissão da União Europeia num programa especial de dinamização ao desenvolvimento.

 Antes disso e através dum Gabinete de Estudos Económicos (SNEDE/Sociedade Nacional de Empreendimentos e Desenvolvimento Económico, S.A) foi, entre 1978 e 1987,director de projectos de desenvolvimento. Colaborou ainda em 1980,com Mário Murteira num curso de formação de quadros superiores, em Cabo Verde. 

Foi desde 1991/2011 (durante mais de 20 anos)  colaborador e adjunto  da administração da Câmara Municipal do Seixal.

Foi membro do Conselho de Administração da CDR, Agência de Desenvolvimento Regional de Setúbal. Foi, até à sua extinção (Nov/2014),membro da direcção da Direcção da Associação Parque Industrial do Seixal.Ainda é, sem qualquer remuneração, membro da direcção Ambiental (AEERPPAS) ligada a esta autarquia.

Foi candidato à Assembleia da Republica, pelo círculo de Setúbal pela CDU, em 1999.Em Setembro de 2001,substituiu no parlamento Octávio Teixeira, cedendo esta posição ao candidato seguinte, Bruno Dias.

Foi autarca eleito, durante 12 anos como Presidente da Assembleia de Freguesia em Santa Catarina – Lisboa, pela Coligação PS/PCP.

Foi candidato por esta coligação PS/PCP em 2001 à Câmara Municipal de Lisboa. Em consequência foi Vereador (substituto), na oposição (2001/2005), nesta autarquia.

É membro e activista, fundador do Movimento cívico "Não Apaguem a Memória" tendo sido considerado arguido e julgado (e absolvido) em Tribunal a 21 de Dezembro (2006) por uma acção de protesto, em 5 de Outubro de 2005,  junto das antigas instalações da PIDE/DGS, por se expor, indignado, ao branqueamento do significado da transformação urbanística, ali em curso, em plena Rua António Maria Cardoso, de trágica " má memória". 

Em Março de 2007 foi eleito para a Presidência do CPPA, Conselho Português para a  Paz e Cooperação e reeleito em 2013

É associado, desde a sua fundação, da Associação 25 de Abril.

É fundador da Associação Conquistas da Revolução constituída em 2011, sendo eleito membro da sua Direcção e designado coordenador da sua “Folha Informativa”. Renunciou a estas actividades em Setembro de 2014 tendo colaborado na edição dos livros publicados por esta.

Por ocasião dos aniversários da Revolução já realizou centenas de intervenções em Escolas e Sessões Públicas em autarquias, colectividades e associações por todo o país.

No mesmo sentido fez intervenções junto da emigração portuguesa em Paris, Bruxelas, Espanha, E.U.A, Cabo Verde, Guiné/Bissau e Angola.

É autor do livro “ Elementos para a Compreensão do 25 de Novembro “, Edições Sociais, 1976.
É co-autor do livro “30 anos do 25 de Abril “ (painel  “a conspiração na Guiné”), edição Casa das Letras, 2005,coordenado por M. Barão da Cunha, e da brochura “ O Paradoxo do Militar Libertador: da Guerra Colonial ao 25 de Abril” apresentado na Universidade de Saint Dennis/Paris em 1999.

É autor de diversos  artigos e intervenções na comunicação social, escrita e falada, destacando-se os últimos artigos  "Não Apaguem a Memória -Se arguidos somos todos, todos fomos absolvidos" e "Pode nascer um país" ( do ventre duma chaimite ) este, citando o poeta Ary dos Santos, numa alusão ao país que queríamos ser e ao que somos,"Reconciliação connosco próprios...no 25 de Abril: E hoje? E ainda “Economia Real versus Economia Virtual/O ultraliberalismo Global e a Crise Europeia”, “O estado Social e o Neoliberalismo” e “Urbano Tavares Rodrigues, até já amigo e  texto de homenagem a  Varela Gomes nos seus 90 anos.”

Apresentou à Conferência da Paz/CPPC (7.12.2013) e à Convenção Democrática Nacional (8.12.2013) a comunicação “25 de Abril-Sonho, Luta, Revolução e Esperança”.

Editou recentemente a brochura ”A Guiné, o 25 de Abril e o reconhecimento da sua independência”.

No passado dia 22 de Fevereiro de 2014, por ocasião do 131º aniversário da Voz do Operário, esta instituição, como faz todos os anos, distinguiu-o como sócio honorário e na homenagem de personalidade de mérito do ano“pelo reconhecimento do seu importante papel no desenvolvimento da revolução do 25 de Abril (que este ano comemorava o 40º aniversário) bem como a luta em defesa dos trabalhadores e do povo, pela Dignidade, Liberdade e Democracia.” (citando excerto da carta da Direcção da VO).
Colaborou na edição dos Livros “Conquistas da Revolução” e de “Vasco,nome de Abril publicados pela Associação Conquistas da Revolução, respectivamente em 23 de Abril e 18 de Julho, deste ano de 2014, quando ainda era seu director e membro do grupo de trabalho de edição.
Foi fundador em 1993 e membro da primeira direcção, em 1993 , da Associação “Os Amigos da Fundação das Casas Fronteira e Alorna” entidade cultural prestigiada e é sócio honorário desde 27 de Abril de 2016.!

Continua na sua luta constante de esclarecimento, sob o ponto de vista progressista, sobre os factos políticos nacionais e internacionais, para que a memória não se apague.

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 Abril de 2017