sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O TEMPO ARDE Carlos Barbeitos Amigo

Homenagem ao Carlos Barbeitos )escrita maravilhosa da filha Diana Pimentel Barbeitos) ao Homem Amigo ....homem franzino mas grande de alma ...que mais se pode dizer.....posso dizer.Fazes -me falta.Fazem sempre faltam Amigos como tu....Ainda agora pensava ir à Galiza estar por aí contigo....desabafarmos.!!!Abraço à nossa "terra .mãe"---MDC.
o tempo arde
[ para os meus irmãos, pelo nosso pai. ]
Sei que não vou saber escrever-te. Sei que estas são fracas palavras para ti, por ti. Morreste. Escrevo-te em falha, em falta. Há um mês, ontem, para sempre, começava a acabar a vida, a tua, a nossa.
Os relógios de casa – a que davas corda, dia a dia – pararam um a um; horas, minutos, segundos anulados. Manhãs, tardes, noites suspensas como o pêndulo quieto do relógio da cozinha. Os teus e os meus lentos e leves passos eram então a medida do tempo que se perdia, da dor que crescia.
Havia incêndios na serra (intuiste, ainda). Havia em ti um incêndio interior. Nem a promessa de trovoada pela madrugada atenuava o cheiro a terra queimada por dentro de ti e sob o chão da nossa vida a ruir.
O ar parou, murmuraste. Pousei muito leve a minha mão sobre o teu peito, a respirarmos a um só compasso, a tentar ensinar-te o que o teu corpo perdia. Dá-me um abraço, pedi-te; pensei poder guardar-te inteiro, ainda, dar-te o ar em mim. Falharam-te os braços até então sempre fortes sempre abertos sempre nossos.
Foste para longe de casa. A esperança segurava-nos e abandonava-nos e segurava-nos e abandonava-nos (aos filhos, aos amigos, aos teus companheiros e às tuas companheiras, contigo sempre, como tu sempre com todos). Um dia durou um mês, uma hora um dia. Duros dias (pouco, ainda).
Uma tarde os teus óculos partiram-se e a pilha do relógio cansou-se. Não o sabia então: o temor, o terror, o susto, o sobressalto estavam ainda a começar. Um tubo a invadir os teus pulmões carbonizados, a boca, o nariz, as veias tomados por objectos estranhos, os sentidos anulados, a tua voz silenciada, os braços sem pulsar, o sangue a escapar de ti, tu inteiramente nu do que foste, agora só um lençol, a respiração por fora de ti (o som, o horror), as máquinas, todos os sinais a cada dia menos vitais e nem fio de vida em ti.
Nós do outro lado de uma espécie de vida – ainda não sabemos qual nem como sem ti – vazios à espera da espera de quê? – sem saber onde tu. Sim, o lugar tinha um nome, cuidados intensivos (eu senti então – não disse – que merecias cuidados que se dissessem de outro modo porque o teu sempre foi um cuidado delicado e dedicado, em reserva e pudor, nas palavras, no amor, na perda, na dor).
Conta-me uma história, tinhas-me pedido numa das madrugadas antes de. Contei-te histórias que me contaste tu, que toda a vida vivemos. Que aprendi a ler à tua secretária ao som do disco de vinyl em que Leonard Bernstein ensina os sons e as vozes de ‘Pedro e o Lobo’ e que Prokofiev me parecia o nome de um amigo.
Lembrámo-nos do corpo forte da nadadora da família a atravessar sem temor o Minho, das ameixas que eu e a Catrineta lanchámos no telhado da coelheira, dos coletes salva-vidas para andarmos de barco a remos rio Minho acima, dos pic-nics e dos bailes de Agosto ao som do gira-discos (agora mudo), do complicado comboio (agora desmontado) que construíste no sótão para e com o nosso irmão, lembrámo-nos da sagração da primavera com que celebrámos a Mada coroada de flores da quinta (e tu a trautear ‘As quatro estações’ de Vivaldi), dos mergulhos de verão da Mada e da Maggie no tanque (hoje vazio), das pescarias no rio Mouro com as catraias, dos aviões e dos barcos, modos de partir que toda a vida escolheste e com paciência construíste como promessa de liberdade.
Não sabias o desamor (guardaste cartas e fotografias por mais de cinquenta anos; o mesmo amor, surpresa, ternura do primeiro olhar, da primeira paixão, de todas as palavras e de todas as perdas – sem um lamento audível). Amaste amar, amaste muito e muitos, amaste a vida.
Partimos, como tu, da quinta onde a vinha foi cultivada pelas tuas mãos; faltar-nos-á a vindima deste ano, por décadas, para toda a vida. Não guardei entre os dedos um punhado de terra: a terra à terra pertence, ensinaste-me. Sei que moro em terra em corpo de ninguém.
‘É o fim, filha’; acreditei em ti, como sempre.
Sinto saudades do passado contigo futuro. Do futuro de ti.
O tempo arde. Para sempre.   Diana Pimentel (Barbeitos)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

AUTOEUROPA ....greve e capitalismo e a cegueira de alguns



É possível trabalhadores contra trabalhadores por razões sectárias...?Nunca pensei ver ,ouvir ou ler.A confusão e por vezes pouca honestidade com que por aqui se desenvolvem teorias "de tiros nos pés" é bem a demonstração da iliteracia politica... ou da manipulação "cavaquista" ou PPC.Numa sociedade em que se pretende desagravar o peso do trabalho e em que nalguns países já não se trabalha na generalidade tantas horas e se pretendem dar mais oportunidade a mais emprego, vem aqui o trabalhador provavelmente da Restauração ou o do Hospital ....(exemplifico) defender que é bom é trabalhar aos sábados ,e porque não ao domingo e feriados...Deixem de ter medo do "papão comunista" e pensem.....e deixem de se intrometer nas lutas justas dos trabalhadores com as características que cada género ou especificidade contêm.. não tenham pena do CAPITALISMO....coitadinho..ninguém aqui é estúpido, mas parece gostar de se auto-flagelar,pelo que ouve no café ou no táxi...MDC.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Comunicação Social e o Verão Quente de 1975...e Hoje

Por Jorge Seabra   Uma partilha oportuna para memória futura.Não esquecendo os militares presos em Custóias (Porto) e os militares exilados Varela Gomes,Costa Martins,Duran Clemente,Pereira Pinto,Martins Jorge,Jorge Carvaheira,Alvaro Fernandes e outros.MDC
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«A recente onda de histeria da direita mostra quão sensível ela é à quebra das alianças do Verão Quente de 75, continuadas na comunicação social que persiste em falsear a realidade, apresentando como uma ameaça à democracia os que por ela mais lutam e lutaram, antes e depois do 25 de Abril, em Portugal, na Ucrânia, na Síria ou na Venezuela.
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Frank Carlucci, embaixador norte-americano em Portugal entre 1975 e 1978, «acompanhou de perto» o Verão Quente de 1975
Frank Carlucci, embaixador norte-americano em Portugal entre 1975 e 1978, «acompanhou de perto» o Verão Quente de 1975Créditos/ noticiasmagazine.pt
«É que estava a ver cada vez pior, os vermelhos mais desbotados, o rosa mais amarelo e o negro a avançar!…» – dizia-me há dias um velho amigo e grande cirurgião, falando da recuperação da visão após a catarata operada, com a sua ironia política e o eterno sorriso de menino maroto.
E talvez tenha sido este Verão de tragédias e as leituras que se procuram para férias que me levaram a comprar o belo e bem documentado livro Quando Portugal ardeu, do jornalista da Visão Miguel Carvalho, uma revisitação às memórias do «Verão Quente» de 1975 e à onda de crimes da rede bombista que atacou sindicatos e partidos de esquerda, alegando querer restaurar a democracia «ameaçada pelos comunistas».
Estão lá bem documentadas as cumplicidades de insuspeitos «democratas» com a CIA de Carlucci, (condecorado por Mário Soares) e as ligações com a direita salazarenta e revanchista, onde afloram conhecidos bombistas, como Ramiro Moreira (premiado com um emprego na Petrogal e amnistiado por Mário Soares), Manuel Marques da Costa, o «Águia», Teixeira Gomes e o Ângelo «de Trancoso», industriais nortenhos como Rui Castro Lopo, Abílio de Oliveira e Joaquim Ferreira Torres, este último, silenciado a tiro por cúmplices, numa emboscada.
Estavam também envolvidos altos comandos militares, como o comandante da Região Norte, Brigadeiro Pires Veloso, chefes da PSP (Major Mota Freitas) e da PJ (Inspector Júlio Regadas), e figuras gradas da Igreja, onde se destacam o arcebispo de Braga e o Cónego Melo, este último com direito a estátua na cidade, talvez por dizer «Deus abençoe as vossas mãos» aos bombistas do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal, de extrema-direita).
Entre muitos outros, a rede incluía membros do Conselho da Revolução, como Sanches Osório e Canto e Castro, e da Junta de Salvação Nacional, como o general Galvão de Melo e o ex-presidente da República, general Spínola, que comandou, a partir de Espanha e da Suíça, o terrorismo bombista do MDLP, e que afirmou querer «eliminar fisicamente» os comunistas a Günter Wallraff, jornalista alemão que se fez passar por traficante de armas, sendo depois premiado pelo 25 de Novembro, que o elevou a Marechal.
Agentes estrangeiros, essenciais «à festa», também não faltaram.
Para além do chefe da orquestra, o embaixador dos USA, Frank Carlucci (mais tarde chefe máximo da CIA), de Guérin-Sérac, «Morgan» (ex-OAS e director da Aginter Press fascista) e Jay Salby, o «Castor», outro importante agente da CIA, até o ex-oficial nazi Otto Skorzeny, mítico «herói» da libertação de Mussolini, entrou no conluio vendendo armas à direita fascista do ELP (Exército de Libertação de Portugal).
A esta amálgama unida no «anticomunismo» (ou no «anti-PCP»), também se juntou a esquerda dita «radical», infiltrada, como o PRP/BR, onde militava Artur Albarran (mais tarde locutor da TV e sócio de Carlucci num negócio imobiliário), ou o MRPP, de Arnaldo Matos.
«até o ex-oficial nazi Otto Skorzeny, mítico «herói» da libertação de Mussolini, entrou no conluio vendendo armas à direita fascista do ELP (Exército de Libertação de Portugal).»
Este último, para além de «viver à larga» – «…são como um saco para onde o dinheiro é atirado, não se sabe por quem…», no dizer de Saldanha Sanches, então seu dirigente dissidente –, trabalhava contra «os revisas do PC», colaborando na preparação do golpe de 25 de Novembro, mantendo contactos «discretos» com Soares, Eanes e Sá Carneiro, que publicamente atacavam com a senha habitual.
Essa duplicidade e ajuda à contra-revolução, foram também alegremente confirmadas pelos seus militantes de então, Ana Gomes (agora PS) e Fernando Rosas (BE), em entrevista ao programa «Baseado numa história verídica» do canal Q, de 7 de Julho de 2017.
Nesta cena de enganos, com centenas de ataques a centros de trabalho e sedes de partidos da esquerda, com mortos em carros, casas mandadas pelos ares e bombas na embaixada de Cuba que causaram duas vítimas, todos – da CIA de Carlucci às «fundações» da social-democracia europeia, dos Espírito Santo, Mello e Champalimaud aos fascistas do ELP, do MDLP, da CODECO e da Aginter Press, dos mercenários da FLNA de Holden Roberto e Chipenda aos «moderados» do PS, PSD e CDS, incluindo os «revolucionários» do MRPP e do PRP/BR – apoiaram implícita ou explicitamente a onda de terror contra sindicatos e partidos de esquerda, tendo como alvo a CGTP, MDP, UDP e PCP.
Vale a pena rever os acontecimentos desse Verão de 75, agora com mais informação e com os olhos que o tempo nos dá, para percebermos que, quando pensamos saber tudo o que o diabo amassou, descobrimos que foi ainda pior, que a violência foi mais extensa e brutal, que a mentira foi mais descarada e perversa, que a «vaga de fundo do povo português» (como dirigentes do PPD, CDS e do PS lhe chamavam) foi mais encenada e planeada, misturando política e marginalidade, anticomunismo e puro roubo, fanatismo e trafico de divisas, tudo na maior impunidade, com homens de charuto em hotéis de luxo e jantares em tascas com «mulheres e vinho», a que nem sequer faltou a exploração dos operacionais que recebiam migalhas dos muitos milhões «doados» para a «libertação de Portugal».
Ler o livro Quando Portugal ardeu, que completa outras importantes obras sobre o tema, como O 25 de Novembro a Norte – O processo Revolucionário no ano de 75, de Jorge Sarabando Moreira, levanta também a ingénua pergunta se tudo não teria sido diferente caso os intervenientes dessa conspiração contra os avanços de Abril não tivessem então escondido e negado o que hoje é, pelos próprios, afirmado sem pruridos e até com orgulho, confirmando factos e cumplicidades que, na época, pareceriam inacreditáveis ou fruto de uma doentia teoria da conspiração.
E, no entanto, houve gente com coragem que investigou tudo, descobriu tudo, que desmascarou tudo, homens honestos, como a PJ de Álvaro Guimarães Dias, Matos Fernandes, Mouro Pinto, Vaz Tomé, Lopes Duarte, o coronel Ernesto Ramos e colaboradores da PJ militar, e da SDCI, a informação militar, do Capitão de Mar e Guerra Rodrigues Soares e camaradas, estes últimos presos logo a 26 de Novembro.
«Apesar do significado intrinsecamente antidemocrático da onda terrorista, para alguns dos testemunhos do "centro" e da "esquerda moderada", tudo se passou como se essa conjura constituísse apenas uma fase sombria mas incontornável da nossa democracia»
Gente impoluta que correu enormes riscos, enfrentando ameaças vindas de fora e das próprias instituições a que pertenciam, a que o País nunca agradeceu devidamente.
Apesar do significado intrinsecamente antidemocrático da onda terrorista, para alguns dos testemunhos do «centro» e da «esquerda moderada», tudo se passou como se essa conjura constituísse apenas uma fase sombria mas incontornável da nossa democracia e, por isso, ética e politicamente aceitável.
Nesta encenação, entra também o «cerco» ao 1.º Congresso do CDS no Porto, invocado símbolo da vocação ditatorial dos «comunas», acontecimento organizado e convocado por militantes de todas as origens (Juventude Socialista, LCI, LUAR, PRP-BR, OCMLP…), menos pelo PCP (!), que, em comunicados e nas palavras de Álvaro Cunhal, «não organizou, não participou e não apoiou as manifestações» contra o congresso do CDS.
Apesar disso, para os media nacionais e internacionais, o badalado «cerco» passou a ser a prova incontestável da falta de sentido democrático do PCP, (o Daily Telegraph dizia que «reflectia uma técnica comunista clássica»), assumindo ainda hoje, a direita, o papel de virginal vítima, enquanto, por trás do pano, organizava a onda de incêndios, atentados à bomba e fuga de capitais que preparou o 25 de Novembro.
Chegou-se até a querer «dividir» o país com uma zona «livre», a norte de Rio Maior, terra das célebres mocas (símbolo da sua «democracia»…), com o governo de Mário Soares a ameaçar «fugir» para o Porto, onde ficaria protegido «dos vermelhos» pelo ELP e pelo MDLP de Alpoim Galvão e Spínola, com a bênção do Cónego Melo.
António Taborda, prestigiado advogado e um dos defensores das vítimas da rede bombista, mais de 40 anos depois, ouvido por Miguel Carvalho, concluiu:
«Para mim, estava tudo harmonizado entre o embaixador norte-americano Frank Carlucci, o Mário Soares, o MDLP, o ELP e a arquidiocese de Braga».
Como dizia Ramiro Moreira, o bombista-mor: «Era tudo anticomunismo! Era uma festa!».
Talvez essa experiência nos permita perceber melhor como se organizam e desenvolvem «revoltas» como a da Praça Maidan, na Ucrânia, ou os boicotes e as violentas manifestações anti-governamentais na Venezuela.
Em Portugal, a «guetização» do PCP e da esquerda à esquerda do PS, mantida desde o 25 de Novembro de 75, só nas últimas eleições foi em parte quebrada com a inflexão do PS, forçado a abrir a negociação das condições mínimas para a viabilização parlamentar de um governo socialista, na sequência do repúdio eleitoral da política dos governos da troika.
O fim do sequestro da democracia pelo chamado «arco do poder» do PS, PSD e CDS representou, por isso, uma derrota maior dos que acobertam a defesa dos interesses do grande capital com a instrumentalização de mentiras e preconceitos anticomunistas.
A recente onda de histeria da direita (ver artigo de João Miguel Tavares «Somos todos demasiado tolerantes com o PC» – Público, 8/7/17) e a desesperada invenção do «diabo» que faltava, chegado numa manhã de fumo ou de nevoeiro com a exploração ad nauseam da tragédia de Pedrógão (cavalgando as dificuldades criadas pela sua própria política de privatização e desinvestimento nos serviços públicos), mostram, para além de enorme hipocrisia, quão sensível ela é à quebra das alianças do Verão Quente de 75, continuadas na comunicação social que persiste em falsear a realidade, apresentando como uma ameaça à democracia os que por ela mais lutam e lutaram, antes e depois do 25 de Abril, em Portugal, na Ucrânia, na Síria ou na Venezuela.
Também por isso, é difícil compreender os que, afirmando-se críticos da política agressiva e de pilhagem neocolonial da União Europeia e dos USA no Médio Oriente ou na América Latina, cedem à pressão da contra-informação da direita dando crédito à velha receita dos «Verões quentes» da CIA, pondo-se ao lado dos Spínolas e Cónegos Melo locais e das orquestradas campanhas contra governos eleitos que procuram defender as populações dos seus desígnios de rapina.»   JORGE SEABRA

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

VALGARIFE .....o grifo

VALGARIFE ou VAL do GRIFO, ALMADENA -LUZ  (sítio dos Vales)

Mini conto talvez triste ou só não?

Aqui se plantaram árvores e sonhos...e se forja o tempo em que se  descobre que se pode "morrer" mais cedo...sendo já tarde; a dum Sol posto entediante que começa a cegar-nos.

Sempre gostei da terra, do verde das searas,das plantas penetrando o céu baixo com várias cores e lembranças...competindo com o mar que sobe e baixa as suas límpidas ondas  ora azuis,ora esmeraldas.

Terra verde ,mar azul efémeros...

... podem secar -se, podem matar-se .....pois nem as lágrimas doridas chegam (ou chegaram) a tempo de as salvar...Aconteceu.  Manuel Duran Clemente













terça-feira, 11 de julho de 2017

Ataque às FAs por causa de Tancos?

Ataque às Forças Armadas? Por causa de Tancos?
Mas quem inventou isto?Abater uma árvore podre não é abater a floresta.

O que se passou em Tancos,queiramos ou não ,é um erro de certos militares.Não vejo que estejam em causa todas as Forças Armadas.Este corporativismo bacoco só interessa a quem tenha culpas no cartório.

As espadas de meia dúzia de militares caducos e fanáticos nunca representaram todas as Forças Armadas e bem assim as demissões idiotas de dois generais raivosos de vingança.Esses sim afectaram mais a dignidade das Forças Armadas. 

As Forças Armadas em si terão sempre o respeito e consideração do Povo que ajudaram a libertar em 25 de Abril.Mas e até por isso têm alguns hipócritas adversários.Mas não confundir erros de operacionalidade com desgaste das Nossas Forças Armadas se continuaram com o espírito de Abril.Lutar por isso é nossa obrigação. Defender erros já não é. Haja por isso averiguações honestas. MDC.
















terça-feira, 4 de abril de 2017

Serviço Militar Obrigatório ou SOC/Serviço Militar Cidadão (texto partilhado)

Texto de Jorge CG
LOGROS EM QUE CERTAS ESQUERDAS CAEM QUE NEM ‘PATINHOS’

Não sei se terei espaço (e paciência hoje) para aprofundar o tema, uma vez que os próprios exemplos dariam já por si um ‘artigo’ extenso [a propósito: isto é mesmo um artigo e não um ‘post facebookiano’, portanto adverte-se que é longo e sem soundbytes…].
O que me motivou escrevê-lo foi essa tremenda confusão sobre a questão do Serviço Militar Obrigatório, a que muito boa gente reage com uma inocência primária e ideologicamente contaminada pelo apregoado “neoliberalismo” (em realidade transformado no mais puro tecnofascismo), julgando que está a ser “pacifista” ou a defender “direitos de liberdade”. Compreende-se a confusão por falta de esclarecimento e o exercício de pensar bem nas coisas, com profundidade. Ou estar atento, como nos alerta Chomsky, para não ficar por aquilo que nos dizem, mas perceber do que nos querem convencer… Razão porque – para grande escândalo na época, há mais de 30 anos – o exímio linguista e não menos exímio pensador advertia que é mais ‘fácil’ detectar a verdade (ou pelo menos perceber onde está a mentira) numa sociedade totalitária do que numa sociedade dita democrática. É que enquanto nesta “acreditamos” que aquilo que nos transmitem é informação de factos (sendo a mais pura manipulação e muitas vezes completa mentira), nas ditaduras não estamos à espera de que nos digam a “verdade” e procuramos interpretar o que a mentira dita quer mesmo dizer…
A este propósito faço um parêntesis para explicar uma crítica que me é (injusta, mas compreensivelmente) feita: a de que sou muito crítico com as esquerdas. É parecido. É que das direitas já estou à espera que seja o que é, das esquerdas é que surpreendem (e às vezes indignam) certas coisas. Ou mesmo o que me parece uma completa contaminação do “grande buraco negro ideológico”, felicíssima expressão de Júlio do Carmo Gomes no texto que estou a interpretar no Pinguim (Porto) até esta quarta-feira.
Antes de mais nada: a discussão e eventual recuperação do Serviço Militar Obrigatório (a que prefiro chamar Serviço Militar Cidadão e já explico porquê) não representa como se apregoa “um retrocesso”. Esse é, desde logo, o primeiro logro, semântico. É uma trapaça lexical que é a irmã gémea de chamar “reformas estruturais” à destruição de serviços básicos do Estado em proveito de privados; ou falar de “privilégios” quando se quer simplesmente retirar direitos aos trabalhadores; ou considerar que a defesa de valores que a Humanidade construiu durante milénios é “conservadorismo”. Esta capacidade das extremas-direitas do capitalismo especulativo e financeiro em se apropriarem de conceitos criados com um sentido e logo usados noutro, espelha-se sem margem para dúvidas, para quem esteja atento, na célebre frase do Maio de 68 “é proibido proibir”, que na altura seria tomada para quem a repetia como um grito reclamando a transformação de uma sociedade muito fechada em moralismos numa sociedade de respeito pelas opções pessoais e individuais de liberdade. Mas que hoje serve de capa para ocultar a predação sem limites de todo o tipo de falta de ética na política, no trabalho, no comportamento social, na responsabilidade individual dos actos privados, da sobreposição de um “eu pós-moderno” ao “nós colectivo” contido no “eu moderno” do século XIX e que, provavelmente, no Maio de 68, se queria reforçar em função de novas realidades.
No caso do SMC (Serviço Militar de Cidadania), desde que salvaguarda a garantia das VERDADEIRAS (não oportunistas) objecções de consciência com um veredicto que inclua o mesmo tipo de objecção extensível a outros campos, como até já nalguns casos era antes da profissionalização das FFAA, defendo sem margem de hesitação o SMC (Serviço Militar Cidadão), a que dou este nome por devolver à população um dos instrumentos principais de garante de soberania do país e de salvaguarda de oligarquias ou plutocracias, garantes de cidadania portanto. De forma exemplificativa e muito simples, passo a evocar que, por exemplo, sem um SMP (Serviço Militar Profissional) nunca teria sido possível que a Anaconda e a ITT promovessem – pelo menos com tal ferocidade e facilidade – o golpe de Pinochet contra Salvador Allende; da mesmíssima forma que a inexistência de um (então sim) SMO em Portugal nunca teria proporcionado – pelo menos nos termos em que permitiu rapidamente politizar uma revindicação corporativa de capitães – o derrube da ditadura em 25 de Abril. Ou, apenas para ajuntar, na mesma lógica, Videla na Argentina, Coronéis no Brasil ou Estados Unidos no Vietnam versus militares no Peru, queda do negus da Abissínia ou de Ceausescu na Roménia.
A ideia associada às FFAA como elemento repressivo do capital não é, de facto, em geral abstracto, um erro. Trata-se de um dos instrumentos do aparelho de Estado para reprimir e garantir a manutenção do Poder, em função da sua natureza. Porém, onde o SMO deu lugar ao SMP a questão, mesmo sem os extremos dos exemplos invocados, permite que o primeiro seja, pelo menos, um “regularizador”, um “moderador” nas tentativas mais “duras”. Este facto, comprovado historicamente como tendencialmente abrangente, torna-se ainda mais relevante quando o tecnofascismo fica cada vez mais com o “controlo quase a 100%” de todos os instrumentos de soberania nas mãos.
Salvaguardar, como se disse, a verdadeira objecção de consciência não deve ser confundido nem com o oportunismo de fugir às responsabilidades sociais para com a colectividade, nem, no inverso, com uma oposição a um SMC. Os verdadeiros objectores de consciência, para lá de limitações óbvias como o direito ao uso e porte de arma, à penalização suplementar a penas derivadas do exercício da violência física, a interdição a integrar profissões similares às FFAA (polícias, segurança privada, etc.), deveriam prestar um outro serviço cívico (A SÉRIO) de interesse colectivo, sem que tal constituísse uma forma de diminuição de postos de trabalho. Por exemplo: integração em operações de resgate civil na Marinha, nos Serviços de Emergência Médica em Pandemias ou Epidemias, prevenção e combate aos fogos florestais, operações de resgate de pessoas e animais em perigo, acompanhamento de doentes sem autonomia e/ou em apoio solidário quando em estado terminal, detecção de casos de violação de direitos humanos em instituições de menores, apoio social de acompanhamento à terceira idade em habitações solitárias, 'batalhões' de vigilância e denúncia de violência doméstica encoberta, integração na APAV… Etc..
Assim, não há-de ser muito difícil perceber – se se substituírem chavões ou pretextos para fugir à responsabilidade colectiva – que um SMC ou mesmo SMO (com a tal salvaguarda antes citada) é uma imperiosa necessidade de garante da soberania nacional, como o é o de poder ter um banco emissor, por exemplo. Deixar nas mãos o “poder de fogo” de um SMP é muito idêntico a permitir que o Orçamento de Estado tenha de ser aprovado pela Comissão Europeia ou que a resolução de situações financeiras como se colocam, mormente na banca, dependam da “concordância” do Banco Central Europeu.
Este logro em que caem certas esquerdas é o mesmo em que se cai facilmente ao passar a discussão da “crise venezuelana” para o formalismo da “violação constitucional” das medidas de Maduro. Sem defender, nem atacar Maduro e muito menos me poder pronunciar sustentadamente (por desconhecimento) sobre de que lado estão “razões” na Venezuela efectivamente dividida, o que me parece carecer de discussão prioritária é saber o que, de fundo – política e economicamente E PORQUÊ – está em causa. A questão formal da “violação constitucional” para tomar partido levaria a também a ter de condenar a “violação constitucional” que o MFA fez em 25 de Abril de 1974, que os bolcheviques fizeram em 1917, que se deu na Implantação da República em vários países, mesmo a da Independência de Colónias que eram território francês, inglês ou outro qualquer, a Declaração da Independência dos Estados Unidos, quiçá a Revolta de Spartacus ou a subversão da Lei Mosaica por Jesus Cristo! Ou que com a mesma leveza se se recusa, em nome de restrições às liberdades em Cuba, integrar uma Comissão de deslocação de Estado a Havana, mas se senta (para combater, que seja), no Parlamento Europeu, onde se aprovam medidas de restrição às liberdades nacionais das Nações, que quer dizer a autonomia de decisão dos seus próprios povos. Ou como se pretende justificar tal pureza de princípios com um conceito vago (“burguês” se diria antigamente) de liberdade, mas não se modera a emoção para aplaudir de pé o obreiro da morte do PREC e responsável principal pela nossa actual submissão à UE (leia-se Alemanha e França), amigo de Carlucci…. Etc….
Mas fiquemos por aqui, até porque dito assim pode parecer que é um “ataque” especialmente dirigido ao BE, quando na verdade, para que não subsistam ilusões, sobre isso, relembro como me manifestei publicamente contra um outro logro, ao caso do PCP, para “justificar” a cleptocracia e desrespeito pelos mais elementares direitos humanos em Angola do dos Santos. Ou como considero vergonhosa a espinha dobrada do PS perante Merkell e Hollande ou Juncker...
São logros em que – mesmo quando em boa-fé – se pagam caros. Como o de acreditar nas “Primaveras Árabes” sem mais, sem juízo crítico e observação da infiltração (quando não preparação) das mesmas como pretexto para destruir Estados e antigos aliados até e destruir o Estado para maiores proveitos na indústria de guerra, da construção civil, do petróleo e da dominação militar (feita por profissionais à mistura com mercenários sem exército nacional próprio, no “mercado internacional”) do Mundo. Ou tantas outras que, como disse no início, seria infindável tratar e mesmo continuar a elencar.
Ficará para outras oportunidades em que a questão se ponha na ordem do dia.
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