sexta-feira, 24 de abril de 2015

25 de ABRIL/Sonho, Luta, Revolução e Esperança (2015) Voltámos a estar em guerra.


25 de ABRIL/Sonho, Luta, Revolução e Esperança   (2015)
Voltámos a estar em guerra.


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Houve 25 de Abril porque havendo ditadura, colonização, opressão, obscurantismo, repressão, demagogia, isolamento…um pesado policiamento das consciências. queríamos ser Livres, estar…em PAZ, contribuir, com plena cidadania, para a construção do nosso futuro…

Mas

Colonizados e colonizadores, interna e externamente, também houve 25 de Abril porque quisemos acabar com o infortúnio e cegueira duma guerra colonial. 

Todos os que não se sentiam bem…com este estado de coisas… fizeram o 25 de ABRIL.

Fomos um só povo: europeus e africanos. Os do Norte e os do Sul, do Litoral e do Interior:
                       A sentir em português o acto: REVOLTA...
                       A falar em português a palavra: LIBERDADE...

A guerra que travámos tinha várias espécies de “teatro de operações”:
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O teatro de operações não era só em África, na guerra colonial…era em toda a parte
                           onde se lutava,
                           onde se trabalhava
                           onde se sofria,
                           onde se aprendia,
                           onde se conspirava
                           onde se crescia…
                           onde se queria um 25 de Abril.

A guerra em que nos meteram “Portugal uno e indivisível “ isolou-nos ainda mais …Mas como há sempre verso e reverso, a dialéctica encarregou-se de nos colocar contemporâneos com o rumo de mudança e de concretizar o fim  da ditadura opressiva de  quarenta e oito anos e  do colonialismo atávico de quinhentos anos.

 ”Libertámo-nos” duma prisão, dum isolamento e dum obscurantismo e, com os novos ventos da História, quisemos enfunar as velas de velhos navegantes rumo à Paz, a outra Amizade e Cooperação entre os povos.

E…só assim foi possível o 25 de ABRIL

Portugal redimiu-se numa noite e fez surpreendentemente, dum conjunto de jovens militares, emergirem capitães e outros quadros de carreira e milicianos, timoneiros do povo armado…mas também, sob a égide dum povo unido, erguer uma das mais belas alvoradas.

Nós militares, ano após ano, constatámos que afinal o nosso inimigo não estava na mata tropical mas no Terreiro do Paço…Altas patentes militares e Governantes mentiam-nos sem pudor.
E foi, paradoxalmente, com as contradições e conhecimentos adquiridos nessa guerra e o clamor dos povos oprimidos em Portugal e nas Colónias, que soubemos preparar com profissionalismo e competência a tomada do poder.

      (a desenvolver pela importância que tiveram na nossa consciencialização):

[A democratização nas Academias Militares: deixaram de ser 75 cadetes filhos de generais e gente rica para passarem a ser 450 cadetes filhos do povo para aguentar a guerra colonial que se iniciara, enquanto potencias mais ricas foram dando a independência às suas colónias no pós-guerra e até aos anos sessenta.]

[A importância e significado dos anos sessenta com a abertura nos espíritos dos cidadãos: o make love-not war, beatles, lutas anti raciais, assassinatos  de Kennedy, Luter King, o Black-Power,assassinatos em massa de estudantes no México,as lutas estudantis ,o Maio 68 e outros acontecimentos relevantes.]

[O efeito boomerang da acção-psicológica feita pelos militares portugueses junto das populações africanas ,do contacto com as quais,vínhamos convencidos de quem era o inimigo: o dito Estado Novo, orgulhosamente só.]

[Fomos capitães e porquê? Três ou mais comissões de guerra, comandantes da quadricula, responsáveis pela segurança das tropas e das populações, fazendo de ”médicos”, ”enfermeiros”, “padres”, e assegurando a alimentação e não só ,deram aos capitães muita força moral e anímica para passar à acção.]



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Uma Alvorada libertadora, só por si, não faz uma Revolução…mas há Alvoradas que as fazem.  

Nesse dia, há 41 anos, o 25 de Abril sendo um Golpe Militar, organizado, trabalhoso e difícil, teve na estrondosa adesão popular a plataforma para um estado superior  : foi REVOLUÇÃO.

Ao povo, aos cidadãos… foi restituído o que era deles e por isso eles acorreram: a tomar nas suas mãos o que lhe era pertença:
-nas instituições;
-nas fábricas;
-nos bairros;
-nas escolas;
-na terra…no campo…na serra.
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Hoje, passados 41 anos, o Portugal Democrático não devia já ter nada a ver com o Portugal da ditadura.
Não queremos nem podemos branquear o fascismo  se nos últimos anos o 25 de Abril está a ficar distante  não confundamos os males da ditadura salazarista:-a opressão, censura, o estrangulamento dos direitos fundamentais com  índices de analfabetismo de 34%, de 37% de casas sem luz e de 53% de lares sem água….para além doutros miseráveis indicadores como na mortalidade infantil, na reduzida assistência na Saúde, numa pobre Educação pública, na repressão dos trabalhadores, dos estudantes e opositores ao regime, na vergonhosa descriminação entre sexos, na abominável censura e policia politica que prendia e matava, nos tribunais plenários com sentenças renováveis…..enfim, os mais velhos sabem…não podemos confundir  a crueldade de então  com a crueldade dos dias de hoje. Hoje estes imberbes dizem que o país está melhor mas as pessoas estão piores!!!


Os desencantos de hoje e respectivas frustrações nada têm a ver com o 25 de Abril.

Os desencantos de hoje e respectivas frustrações são fruto duma coligação de interesses e conjugação de factores internos e externos.

Às raízes antigas, outras se lhes vieram juntar.

Globalmente são resultado da essência e natureza dum sistema predador:

-Responsável pela miséria, pela fome e pela doença de milhões de seres humanos.
-Responsável pela depauperação de países e pela pilhagem de continentes.

Chama-se: “capitalismo”, com diversas alcunhas:
   -neo-liberalismo,
   -ultra-liberalismo global…
   - simplesmente , “mercado ”.

Em 25 de Abril quisemos que as pessoas, os portugueses participassem no futuro.
Quem deixou, quem permitiu (como e quando) que agora, nos dias de hoje, seja o MERCADO  e os seus tiranetes que mandem em nós ???
…………………………………………………………………………….
Há anos que vimos afirmando que o sistema gera desumanas situações sócio-económicas, onde os ricos tem ficado cada vez mais ricos e os pobres, cada vez, mais pobres.

Há muito que a economia social foi estrangulada e a vertente financeira se sobrepõe à vertente produtiva (economia real). Anda a circular (no mundo) cinco vezes mais dinheiro virtual  que o da real produção. Quem se amanha ?Os especuladores e corruptos.

A Banca, a especulação agiota, os jogos das troikas…  dos Bilderbergs,  do FMI,  do BCEs  …enfim da alta Finança a governar.
Esta é a essência da crise .

Infelizmente, é-o, há muito.
E o que é que isto tem a ver com o nosso 25 de Abril?? Perguntarão.

Tem tudo a ver.

Para nós Capitães de Abril, para a esmagadora maioria de nós, de todos nós, o verdadeiro 25 de Abril assentava numa base programática (o programa do MFA) com os direitos e os deveres do cidadão, dignos dum Estado-Social…e que, graças à luta dos progressistas, a Constituição da República Portuguesa viria a consagrar, em letra, em 2 de Abril de 1976.
Durante cerca de dois anos o MFA e os governos provisórios produziram quase 200 diplomas (Leis, DL e Portarias) que oficializaram as conquistas da Revolução…para alegria e satisfação popular.

Que País e que Estado-Social temos, 41 anos depois?

Há 41 anos quisemos um país novo.
O programa do MFA deu o mote: descolonizar, democratizar e desenvolver. Ter PAZ, como necessidade intrínseca.

Tivemos muitos avanços e grandes recuos. Mas…

Dos marcos da Revolução Francesa : Liberdade, Igualdade e Fraternidade (Solidariedade), os poderes instalados só vibram com a Liberdade.
Mas onde andam a Igualdade, Fraternidade e a Solidariedade?
É que a Liberdade, anda de boca em boca, para: “explorar”… “oprimir” … “mentir”…“manipular”…
A mentira e manipulação são a hipócrita bandeira na lapela dos governantes.

Sendo um país diferente :
-muitos sonhos ficaram por realizar,

Que outra “guerra” ou outras “guerras” nos atormentam?

Há 41 anos cada família tinha um familiar na guerra, hoje cada família tem um ou mais familiares no desemprego. Voltámos a estar, de facto, noutra tenebrosa guerra.

Voltámos a estar em “guerra”.E sabemos onde estão os inimigos.

Estando muito diferentes de há 41 anos, estávamos longe de pensar, que absurdos e negativos indicadores e comportamentos dos governantes hoje nos colocariam numa bancarrota social e financeira, incentivada pelos especuladores agiotas e poderosos da banca e da finança internacional.

Quem nos conduz?

- A esta austeridade suicidária?
-Ao exacerbar da pobreza?
-À mais alta taxa de desemprego?
-Ao aumento e generalização da precariedade?
-À quebra dos salários, já dos mais baixos da União Europeia?
-À brutal redução das pensões dos reformados?
-À despudorada e injusta carga fiscal?
-Ao ataque ao direito ao trabalho digno?
-Ao ataque nunca visto ao Estado Social com a grave redução dos legítimos direitos na saúde, na segurança social, na educação e na justiça?

Com esta política, Portugal tem vindo a empobrecer e as desigualdades têm vindo a aumentar exponencialmente.



Que se passa?

Desde o operário ao licenciado o português é bom profissional em todo o mundo! Que nos fazem ou deixamos que nos façam em Portugal.

O 25 de Abril merece mais, merecia mais.
Merecia e merece outra Politica. Outra  politica à altura da grandeza da LIBERTAÇÃO de ABRIL.

Muitos políticos e sobretudo estes dos últimos 4 anos têm-se mostrado reféns e amarrados a várias grilhetas internas e externas:

a)-Dentro do País/Internamente, prisioneiros:

*-de uma cultura “de poder pelo poder” em vez “do poder pelas pessoas, pelas nossas gentes” e de uma cultura da mentira e da manipulação.

*-da criação de clientelas e de elites sôfregas por lugares ao sol…e que por aí vão propagando formas de estar e de vivência nada condizentes com o espírito de Abril.

*-pela incapacidade de desmontar uma intensa ofensiva ideológica levada a cabo pelos órgãos de comunicação.

*-da corrupção, da apropriação, assalto e esbulho aos bens, que supostamente deveriam estar ao serviço de todos os cidadãos, mas têm servido para a criação de coutadas geradoras de lucros e escandalosas remunerações e prémios anuais recordes do mundo .

*Reféns, pecado maior, do mando dos grupos financeiros e económicos nacionais, a cuja subordinação, esta nossa democracia já compete com os piores tempos da ditadura.

b)-Externamente,reféns

*-duma débil e falsa União Europeia que vive um forte desconserto, para satisfação das poderosos potentados económicos (um gigante de pés de barro) para onde partimos (em 1986) apenas com dez anos de democracia e com um estrondoso atraso estrutural económico (herdado da ditadura) que só por si merecia, como muitos avisaram, outro tipo de negociações, outras cautelas, leviana e festivamente, desprezadas.

*-da incapacidade de fazer valer os pontos de vista nacionais, submissos à abdicação e imposição que nos fragilizaram em sectores económicos vitais (como nas pescas, na indústria e na agricultura…) entre outras malfeitorias semelhantes.


*-de não perceber que as ditas crises financeiras resultam das crises do capitalismo e baseiam-se sempre na sobre-acumulação de capital na esfera da produção. E o objectivo é a redução do custo da força do trabalho.

*-de não compreender que com a continuação das politicas e dos comportamentos ,que teimosamente o Capital impõe ( perante o qual se têm vergado os responsáveis portugueses)…com a continuação dessas políticas o desemprego, a pobreza, e as contradições entre os estados-membros da U.E. irão aumentar, com graves consequências para os povos.

*-não entender que a escalada de ataques antipopulares atingirá todos os estados membros da U.E, porque o Capital Monopolista quer é reduzir o custo da força do trabalho, o seu objectivo fulcral é reforçar a competitividade não só em relação aos EUA, mas também em relação às forças emergentes como China, India e outras, com mão de obra muito mais baixa… a questão dos défices e dos endividamentos pode ser apenas e tão somente uma cortina de fumo…

Nada disto tem a ver com o que deu razão e motivou o 25 de Abril….
Tudo isto é contrário ao que aliança POVO-MFA queria, na alvorada libertadora…e afasta-se da Constituição mesmo com as sete alterações já impostas.

É essa política da contra-revolução - executada muitas vezes, demasiadas vezes, em frontal desrespeito pela Constituição da República,  fora da lei Fundamental do País e, de há quatro anos para cá, sob a batuta duma  troika ocupante e da submissão dum governo que não defende os nossos reais interesses,os interesses das pessoas.

É essa política de ódio a Abril que urge derrotar e substituir por um política de sentido oposto, logo inspirada nos valores de Abril.

Estamos a comemorar os 41 anos de Abril.
Por isso os comemoraremos em luta. Com a firme convicção de que é nos valores de Abril - nas suas conquistas políticas, sociais, económicas, culturais, civilizacionais - que se encontra a solução para os muitos e graves problemas criados  pelas políticas da contra-revolução internas e externas.

Em 25 de Abril quisemos que as pessoas, os portugueses participassem no futuro.
Fizemos pontes para o futuro.
O poder hoje instalado “quer fazer do amanhã pontes para o passado”.
Quer regredir aos tempos de antes da revolução francesa.
Quer o empobrecimento de todos nós para que um por cento mande em noventa e nove por cento da humanidade. A austeridade é apenas um instrumento duma estratégia. Querem que se caia num “feudalismo moderno”.

Não deixaremos.

Com a certeza de que a conquista de tal solução depende, no essencial, da luta dos trabalhadores e do povo.
Com os trabalhadores e o povo, com a intervenção organizada de todos os homens, mulheres e jovens identificados com os valores de Abril, conquistaremos um rumo novo para Portugal.

Abril vencerá! Porque Abril é o futuro.

Todos nós somos parte da solução.

Repetimos

Abril vencerá! Porque Abril é o futuro.


Manuel Duran Clemente,Coronel Ref.    25 de Abril de 2015

[Cap. de Abril]

segunda-feira, 20 de abril de 2015

PORTUGAL ERA UM PAIS TRISTE-2

Portugal era um país triste - 2
Agora que se aproxima mais uma comemoração do movimento libertador de 25 de Abril de 1974, talvez convenha lembrar a alguns saudosistas que por aí andam, o que era o Portugal da década de 60, quando eu, privilegiado, pude ir estudar para a universidade.
Privilegiado não era só eu: em todo o país havia 49 mil estudantes universitários, hoje são praticamente 1.300.000. Aqueles que vociferam contra o SNS, não sabem, ou esquecem, que hoje todas as mulheres fazem os partos em unidades hospitalares e naquela época SÓ 18%: nascia-se em casa, o que ajuda a explicar a mortalidade infantil que era de 77,5%, contra 5% nos nossos dias. E médicos por 1000 mil habitantes eram 80, contra 325 em 2011. Para aqueles que acham que "antigamente é que era bom", lembro que há 50 anos, SÓ 28 % das casas tinham água canalizada, duche ou banheira só em 19%, sanitários em 42%, mas esgotos só 38%. A energia eléctrica não chegava a metade dos lares, só a 41%: vivia-se à luz do candeeiro de petróleo, mesmo em cidades importantes. Portugal era um país miserável, na cauda Europa, para onde emigraram, entre 1960 e 1970, 1 MILHÃO DE PORTUGUESES FAMINTOS À PROCURA DE MELHORES CONDIÇÕES E, TAMBÉM, EM FUGA À GUERRA COLONIAL. Esta, absorveu quase 10% da população e mais de 90% da juventude masculina: em 13 anos de guerra, cerca de 1 milhão de portugueses combateu nas colónias, dos quais quase 9.000 morreriam e cerca de 100 mil ficaram feridos ou incapacitados. A evidência desta situação, faz com que em 1971, 25% dos recenseados faltava ao serviço militar, calculando o EMGFA que durante os 13 anos da guerra, cerca de 110 a 170 mil jovens faltaram ao serviço militar. O que nos leva a um outro número significativo e que ajuda, também, a explicar o movimento dos capitães: as reservas de recrutamento esgotaram-se em 1973. Teria de começar tudo de novo e voltar a chamar os que já lá tinham estado.
Este foi o resultado de uma política retrógrada, tacanha, isolada do exterior, com uma forte influência dos valores da igreja católica, sobrevalorizando o papel subalterno da mulher e valorizando a pobreza quase como um fim a atingir. Mas, nada é imutável e é neste quadro que vai despontar uma geração que, provavelmente, terá sido aquela que mais contribuiu para uma ruptura entre gerações, tomando consciência da realidade social e despertando para o seu papel dinamizador no sentido da profunda alteração do estado em que o país vivia.   F.Vicente

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ainda o 16 de Março de 1974

Ainda …o 16 de Março contado por Otelo Saraiva de Carvalho.

Ainda …o 16 de Março contado por Otelo Saraiva de Carvalho.



Nos 30 Anos do 25 de Abril realizaram-se jornadas de Reflexão, em Oeiras .Durante o dia de 25 de Março de 2004 no Teatro Eunice Muñoz, houve três sessões, como os  seguintes temas e intervenientes.:

1 º Painel-Conspiração-Vasco Lourenço, Duran Clemente e Aprígio Gonçalves.
2 º Painel-Acção Militar-Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos e Costa Neves
3 º Painel-Pós-25 de Abril- Victor Alves, António Reis e Romano Pires

Descrevo isto, para esclarecimento de alguns,para quem esta "operação"ainda é um mistério, o que sobre o 16 de Março foi relatado por Otelo Saraiva de Carvalho, gravado e transposto  no Livro: "OS 30 ANOS DO 25 DE ABRIL", editado pela Casa das Letras (ex-Editorial de Noticias): [ MDC]

Página 92 ,​​Linha 15
Diz Otelo: "Falar sobre a acção do 25 de Abril é um pouco como as telenovelas: um episodio começa  sempre com cenas do episódio  anterior. E eu, assim, vou repegar na questão do 16 de Março. De facto, eu estive no 16 de Março. O coronel Marques Ramos dizia que devia estar na mesa alguém que tivesse participado no 16 de Março. E AQUI ESTOU EU "...

" Vou retomar duas intervenções: uma do Manuel Duran Clemente e outra do  José Novo.”

“O Duran Clemente disse-nos que, na Guiné, quando se deu a despedida dos então majores Casanova Ferreira e Monge, o pessoal da Guiné ficou com uma absoluta convicção de que eles regressavam a  Lisboa para fazer qualquer coisa, para levar por diante uma acção, de que vinham com essa ideia fisgada, de que as coisas estavam muito paradas e era preciso  agir. "

Página 93,Linha 7

Diz Otelo : "A questão que foi colocada por Duran Clemente dá-nos  outra justificação para o 16 de Março: tendo regressado da Guiné, de facto, com a ambição de fazer qualquer coisa, de romper com um situação, o Casanova Ferreira  vai exercer sobre MIM UMA PRESSÃO ENORME  "...

Entre a pagina 93 e a página 99 (vou fazer um resumo do que é dito de mais importante):

Otelo conta das reuniões em casa de Casanova Ferreira, primeiro no Algueirão, no dia 12 de Março, com tenentes e oficiais das Escolas Práticas e outros do RI5-Caldas e do RALIS-Lisboa. Depois  e já à tarde na casa do Casanova mas de Lisboa .... "alinhámos num folhinha de papel A5, uma pequena Ordem de Operações(!) em que intervinham quase só as Escolas Práticas .. Não havia transmissões, não havia nada. "
Então, continua dizendo Otelo: na sequência dessa reunião arrancou,no dias seguinte, para Santarém ... Teve uma reunião em Casa do Capitão Bernardo. Este interrogou? "A ordem vem assinada pelo general Spínola?” Perante uma resposta negativa, respondeu: “Ah então nós, Escola Prática, não entramos, fica já ponto assente.” (Salgueiro Maia estava de Serviço no aquartelamento).

Mais é ainda referido por Otelo: n'uma reunião, ainda ao fim dessa tarde no Dafundo com representantes do Corpo de Paraquedistas, com a presença de Garcia dos Santos e Moreira Azevedo,o paraquedista capitão Avelar de Sousa perante a má qualidade da Ordem de Operações acabou por também se recusar a avançar.

Otelo, acaba esta parte, dizendo: "posto isto parecia  termos desistido, mas não."

Depois  da exoneração de Costa Gomes e António Spínola  (14 de Março) são desafiados por Lamego (CIOE). O capitão Ferreira da Silva afirma “vamos avançar sobre o Porto”.

Então Casanova Ferreira dá ordens. Manda Otelo arranjar tropas em  Mafra (EPI) e em Vendas Novas (EPA). Estando Presente o major Marques Ramos (que nesta sessão, trinta anos depois, manifestou a sua indignação contra a forma como estas acções foram planeadas).Diz-lhe Casanova: “tens malta amiga no RI5/Regimento das Caldas ficas incumbido de ir lá e trazer uma coluna”. Por sua vez Casanova prontifica-se ir a Santarém e trazer outra companhia. Manuel Monge ficaria em Lisboa como coordenador das acções…pelo telefone ...

Conta Otelo: "despedimo-nos e arrancámos ...."

“Rumei a casa do Victor Alves, (da Direcção Operacional do MFA) pois o Vasco Lourenço já estava nos Açores, e expliquei-lhe a situação. O Victor Alves ficou alarmadíssimo e disparou “ISSO É UMA BRONCA “.” Mas Como é que isso pode acontecer assim à revelia do Movimento? "  …” Isso é uma bronca" ...
"E eu" ... (Diz Otelo) ... "Pois é mas eu estou metido nisto até aos gorgomilos, paciência, vou arrancar nesta aventura e vamos ver o que isto vai dar? ..."

************

QUEREM QUE CONTE MAIS? Pergunto agora eu, [MDC]

Não Vale a pena o resto é o que se sabe e é mais ou menos público ... na EPI-Mafra ,Otelo  não encontrou tropas, e na EPA-Vendas Novas  a mesma coisa.. Era fim de semana .
Casanova não teve melhores resultados. Também ninguém o satisfez em Santarém.

Só saiu o RI5/Regimento de Infantaria nº 5 das Caldas da Rainha chegando quase à portagem da AE de Lisboa. Para onde Otelo terá ainda tentado dirigir-se para evitar mais sarilhos. Foi em vão.

No dia seguinte Otelo apresentava-se na Academia Militar onde era instrutor.E depois ouviu das boas da direcção e da coordenadora do MFA.Vasco Lourenço e Melo Antunes estavam já nos Açores.Foram presos uns quantos militares em Caxias....

PARA QUEM TENHA DÚVIDAS O MELHOR É COMPRAR ESTE LIVRO OU PEDI-LO EMPRESTADO .

Justificação esfarrapada ou talvez não : impedir a exoneração de Costa Gomes e Spínola ... que até já tinham sido exonerados ... a 14 de Março. Ou recolocá-los nos seus lugares de chefia anteriores.

 * Manuel Duran Clemente [MDC] (citações do Livro E COMENTÁRIOS MEUS)

PS.....O falhanço das Caldas não tem nada a ver com o 25 de Abril que estava em preparação há alguns meses e foi preparado com um plano bem elaborado por vários militares de especialidades diferentes,destacando Garcia dos Santos ;na especialidade de comunicações.A Otelo foi dada a coordenação da acção a partir do Regimento de Engenharia 1 ,na Pontinha,onde estavam uns bons dez ou mais oficiais, coadjuvando essa mesma coordenação.Alguns est...udiosos admitem que esta tentativa burlesca e patética de golpe era uma antecipação de Spínola sobre aos verdadeiros capitães de Abril, em Portugal e na Guiné-Bissau,onde no 25 de Abril houve acções com o sucesso conhecido.Há muitos relatos fidedignos sobre estes acontecimentos.Otelo já contou o disparate em que se meteu com a pressão dos militares Spinolistas Casanova Ferreira e Manuel Monge chegados de Bissau no dia 5 de Março. Eu avisei o MFA como Otelo e bem testemunha."MDC
«Ainda o 16 de Março.....
«Desculpa Fontão,sabes bem que tenho razão e que nada do que disse põe em causa a vontade dos nossos camaradas derrubarem o sistema .Só como disse Vitor Alves ao Otelo o que ele ,o Casanova e o Monge (vindos das nossas reuniões clandestinas de Bissau)estavam a preparar era uma perfeita traição ao Movimento.E disso não esqueceu o Ramos que ,sendo enganado, saiu das Caldas e 30 anos depois estava furioso neste colóquio de Oeiras [(2004 ver livro editado por Manuel Barão da Cunha/C.M de Oeiras) ,onde,salvo erro não estiveste....]furioso com Otelo...cujos disparates lhe deram condecoração neste país das meias tintas e da improvisação....felizmente o plano de acções de Otelo num quarto de uma folha A4(no 16 de Março) no qual EPC,Fuzileiros ,EPI e EPA não acreditaram foi substituido por um plano de operaçõe competente feito por um conjunto mais alargado de capitães e majores para as operações da noite de 24 para 25 de Abril coordenadas como já referi a partiir da Pontinha.Não vale a pena ,e nisso somos hábeis, em proteger asneiras ou escamotear parvoíces.Eu das que Otelo cometeu não deixo passar nenhuma em branco....e a que mais me magoa é a sua aliança ao grupo dos nove e a carta estupida a Vasco Gonçalves.Claro que sei que vocês -anticomunistas-(de vários graus) sempre acharam muita graça a Otelo...eu e muitos capitães de Abril...nem tanto!!!!A verdade é a verdade.....A acção do BC5 no dia 25 de Maio estava insirida no plano bem organizado e treinado para ocupar o Quartel General em Lisboa ...não tem nenhuma relação com a aventura patética do 16 de Março,o que não significa como já disse termos todos apreço pelos militares que sairam enganados com ideia de derrubar o sistema.Mas foi um erro e uma acção burlesca como Otelo contou e está no livro referido.Eu não estou a fazer juízos subjectivos.MDC.
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quinta-feira, 12 de março de 2015

.. "A MATANÇA DA PÁSCOA -11 de Março de 1975 (filme na RTP1)

A MATANÇA DA PÁSCOA -11 de Março de 1975
Vi ontem este filme que passou na RTP1.
Como ainda há gente que agride a nossa inteligência?
De facto os "novos intelectuais" ou, os que se acham como tal,têm muito a aprender com a capacidade de reflexão e de análise sobre certos acontecimentos do passado.´Também não compreendo com Otelo se presta a continuar a fazer de hilariante figurante de uma péssima peça de teatro onde é excitado o sentimentalismo bacôco em detrimento da mais elementar narração da verdade conhecida,isto é dos factos....e a peça acaba : "quem é que se terá lembrado da lista da matança da Páscoa",diz Otelo Saraiva e diz Vasco Lourenço com o ar mais pungente e ingénuo desta vida e cheios de comiseração pelos "camaradas" enganados.Nada dizem sobre as tentativas de Spínola se fixar na tomada do poder desde o célebre 16 de Março,desde o 25 de Abril -à noite-,desde o "golpe Palma Carlos",desde o golpe da "maioria silenciosa"(28 de Setembro) ,das conspirações de Massamá acolitadas por gente que já referi noutros comentários....
Então eu vou revelar (?) aquilo que, Otelo e outros ,parecendo meninos ingénuos ou velhos desmemoriados não se lembram, e também por incompetência ou a mando de interesses da direita casmurra não se lembra o autor ou autores da peça.Então não conseguiram descortinar o que está registado em mais de uma dezena de publicações (livros de Alpoim Calvão,JaimeNogueira Pinto,Sanches Osório,José Manuel Barroso,Canto e Castro,etc) e de artigos avulso.???
A lista da "matança da Páscoa" que nunca ninguém viu ,nem consta em nenhum processo das averiguações efectuadas, chega a Lisboa a 9 de Março pela mão ou melhor pela boca dos oficiais spínolistas Nuno Barbieri (filho do Barbieri da PIDE) e de Carlos Rolo.Trazem a informação de Madrid.Nome de Código da Operação:MATANÇA DA PÁSCOA.[Como se alguém inteligente fosse dar um nome de código destes a uma verdadeira matança....!!??]Tratar-se-ia dum plano a ser realizado por brigadas comunistas para prender ou matar Spínola,500 militares e 1000 civis.
Portanto é sabido quem está na origem desta tramóia e provocação.Matar 500 militares?Já viram? E 1000 civis?
Pergunto.
É preciso esclarecer mais alguma coisa sobre o que constitui esta peça feita com o nosso dinheiro na Televisão Pública?Não passou há 30,25,15 ou 10 anos,passou ontem e é produção/realização ....que só pode ser de garotos endeusados por diletantismo idiota....mas provocatório .Coitados dos spínolistas e quejandos foram enganados.
Ainda me lembra bem de em nome da 5ª Divisão/EMGFA ,com os meus rapazes (5 subalternos especialistas em comunicações rádiofónicas) ter de me deslocar à então Emissora Nacional(que como nada se passasse continuava com o noticiário das 13h00).
Pelas 13h20 comuniquei:
"Vamos dar uma noticia concreta.Dois aviões e dois helicópteros atacaram o Regimento de Artilharia Ligeia 1,unidade afecta e fundamental do MFA.Este ataque verificou-se cerca das 12.00 horas.Portanto ,são elementois das Forças Armadas que se sublevaram contra a ordem democrática instaurada desde o 25 de Abril.Mais uma vez o MFA e o Povo têm que estar unidos contra estas manobras.Apelamos para a vigilância popular em união com os órgãos representativos do MFA, nomeadamente a sua Comissão Coordenadora,
5ªDivisão do EMGFA, e comandante-adjunto do COPCON Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho..."
Foi esta noticia que foi ouvida por populares e por militares em todo o país e particularmente junto do Regimento e que foi esclarecer os paraquedistas nas conversações com Dinis de Almeida ,onde também têm papel importante o comandante Costa Correia (à paisana nas fotos e com cachecol) e o jornalista Adelino Gomes.
Também em Tancos ao ouvirem a noticia os militares e civis ,afectos ao MFA,se insurgiram e tomaram posições contra os spínolistas...colocando bidons na pista para os aviões não aterrarem.
Nada disto é contado no triste filme de ontem em que mais do que matança da Páscoa há um claro suicídio da dignidade de informar com honradez.
A CIA reforçava assim o seu plano de caça às bruxas,de caça aos comunistas e à gente de esquerda,com os aliados conhecidos,até ao 25 de Novembro. 

12 de Março de 2015
Manuel Duran Clemente...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ARMINDO RODRIGUES

ARMINDO RODRIGUES
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"Adentro do Realismo (Armindo Rodrigues) foi um actualizador das velhas tradições,ergueu alto a sua voz,falou alto com justiça,tentando emendar o rumo da história que ele próprio viveu no tempo em que lhe coube viver", disse ÓSCAR LOPES
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Toda a justiça é injusta, porque julga
Toda a ordem /desordem, porque impõe
Toda a verdade é errada, porque muda [Armindo Rodrigues]
BIOGRAFIA
«Protesto contra a vida mas amo-a com furor/ e odeio a paz traída que me querem impor/Qual homem sou eu e de quantos posso ser?/Que foi que me venceu e que é isto de vencer'/Acaso nada valha viver-se vertical/Cortem-me à navalha e eu jurarei que vale».Armindo Rodrigues
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PARABÉNS CONCEIÇÃO LIMA E RÁDIO VIZELA
Listen to Hora da poesia 11/02/2015 by Rádiovizela
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Carta Aberta ao Primeiro-Ministro PPCoelho (ass:Grécia)

As cidadãs e os cidadãos abaixo-assinados manifestam a sua preocupação quanto à posição do Estado Português no Conselho Europeu de hoje. Tem o primeiro-ministro declarado que, mesmo perante a grave crise humana que se vive na Grécia, a política de austeridade prosseguida se deve manter inalterada. Os factos têm evidenciado que este caminho é contraproducente.
Não temos dúvidas de que a Europa vive uma situação difícil, pelas tensões militares na sua periferia e pelos efeitos devastadores de políticas recessivas que geraram desemprego massivo, o aumento do peso das dívidas soberanas e deflação, abalando assim os alicerces de muitas democracias. Este momento exige por isso uma atitude construtiva, que conduza a uma cooperação europeia de que Portugal não se deve isolar.
Para evitar uma longa depressão, a União tem de combater a incerteza na zona euro e, para tanto, precisa de uma abordagem robusta que promova soluções realistas e de efeito imediato. O momento actual oferece uma oportunidade que não pode ser desperdiçada para um debate europeu sobre a recuperação das economias e das políticas sociais dos países mais sacrificados ao longo dos últimos seis anos.
É por isso também do interesse de Portugal contribuir activamente para uma solução multilateral do problema das dívidas europeias reduzindo o peso do serviço da dívida em todos os países afectados, que tem sufocado o crescimento económico, agravando a crise da zona euro. Pela mesma razão, é ainda necessário que Portugal favoreça uma Europa que não seja identificável com um discurso punitivo mas com responsabilidade e solidariedade, que não humilhe Estados-membros mas promova a convergência, que não destrua o emprego e as economias mas contribua para uma democracia inclusiva.
Estamos certos, senhor primeiro-ministro, de que agora é o tempo para este apelo à responsabilidade numa Europa em que tanto tem faltado o esforço comum para encontrar soluções para uma crise tão ameaçadora.
Adriano Pimpão
Ana Rita Ferreira
António Bagão Félix
António Franco
António Sampaio da Nóvoa
Carlos César
Diogo Freitas do Amaral
Eduardo Ferro Rodrigues
Eduardo Paz Ferreira
Fernando Melo Gomes
Francisco Louçã
Francisco Seixas da Costa
Helena Roseta
Lídia Jorge
João Cravinho
José Pacheco Pereira
José Maria Castro Caldas
José Reis
Manuel Carvalho da Silva
Manuela Silva
Maria Mota
Mariana Mortágua
Mónica Bettencourt Dias
Paulo Trigo Pereira
Pedro Adão e Silva
Pedro Lains
Ricardo Bayão Horta
Ricardo Paes Mamede
Ricardo Cabral
Octávio Teixeira
Viriato Soromenho Marques
Vítor Ramalho

        

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A Grécia, a União Europeia e Portugal

A Grécia, a União Europeia e Portugal por Carlos Esperança(partilhado)
Sei pouco do que quer que seja e ainda menos de macroeconomia, mas sei alguma coisa de política e de história. É por isso que não perdoo a Reagan, Thatcher e João Paulo II a herança sinistra do pensamento único a que o ultraliberalismo conduziu, nem a Helmut Kohl e a João Paulo II o desmembramento jugoslavo que começou nas independências eslovena e croata, com que abriram a caixa de Pandora, e acabou no offshore da droga e da jihad, o Kosovo.
Sei pouco de geoestratégia mas condeno quem desafiou Putin e o virou contra a Europa também sua, servindo interesses alheios. Conheço os cruzados que, ao arrepio da ONU, invadiram o Iraque e, além do crime, perderam a face para acusarem a Rússia quando se excedeu na defesa dos russos contra a Geórgia ou contra o golpe de Estado da Ucrânia.
Acompanho a Grécia desde o jugo dos coronéis até à asfixia atual e lamento que os dois partidos, de duas famílias, fossem incapazes de fazer um país laico e virtuoso, sem botas de coronéis e o hissope dos patriarcas. Lamento que o PASOK traísse o seu programa e se tenha suicidado na corrupção e compadrio, de mãos dadas com a Nova Democracia.
Os dois partidos estruturantes da democracia política atual foram os coveiros da Grécia, que lhes deu repetidas oportunidades, sem que o patriotismo que moveu o Syriza tivesse despontado neles.
Localizada estrategicamente no cruzamento entre a Europa, a Ásia, o Médio Oriente e a África, a Grécia hesitou entre a modernidade e a tradição, sufocada pelas vestes talares do clero e a incompetência e corrupção de dois partidos políticos.
Com a UE tolhida pelo medo e pusilanimidade dos seus dirigentes, Yanis Varoufakis interroga: “Se a Grécia sair, quem irá a seguir? Portugal?”.
O alerta do ministro das Finanças grego para Portugal e para toda a zona euro, “se a Grécia sair da união monetária, esta irá ‘desmoronar-se como um castelo de cartas’, é ignorado por um Portugal que ressona, com um Governo autista, uma maioria acéfala e um PR comprometido.
Hoje, ao contrário dos que querem punir o Syriza, arruinando a Europa, é o Syriza que, querendo salvar a Grécia, pode salvar a União Europeia. Alexis Tsipras está a fazer à Europa o que Eça de Queirós quis fazer a Portugal: « E simplesmente o que eu quero fazer é dar um grande choque elétrico ao enorme porco adormecido (refiro-me à Pátria).
[Eça de Queirós, carta a Ramalho Ortigão, de 10 de Novembro de 1878, in Cartas e Outros Escritos].
Que os porcos, feios e maus acordem.  8Fev2015