domingo, 22 de novembro de 2015

RTP: 25 de Novembro de 1975 1.Primeira intervenção de Duran Clemente (18h10)


RTP: 25 de Novembro de 1975
1.Primeira intervenção de Duran Clemente (18h10)
Foi dada ordem pelo Conselho da Revolução para que o Coronel Jaime Neves e os seus Comandos venham atacar os militares que neste momento, representando os seus interesses e os dos trabalhadores fazem deste emissor, da Radiotelevisão, uma voz ao serviço dos explorados e oprimidos deste país, isto é, ao serviço da revolução socialista.
Aguarda-se pela chegada duma comissão de militares de pára-queduistas do Regimento de Tancos para explicitar as suas razões.
Esta intervenção foi repetida

2.Segunda intervenção de Duran Clemente (19h35)
Boa noite, recebemos há pouco dois comunicados do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos e Metalomecânica do Distrito de Lisboa. MDC
………………………………………………………………………….
”Não à guerra civil e ao estado de emergência na região de Lisboa. Não há suspensão da Liberdade de expressão e de reunião. Não à repressão do movimento operário e dos Trabalhadores.”
…………………………………………………………………………..
Alerta, metalúrgicos trabalhadores.
Não à divisão do país, à confrontação armada e à guerra civil. Não ao estado de emergência na área de Lisboa, primeiro passo para o corte das liberdades democráticas e para a repressão dos operários e trabalhadores.”
“A revolução está na hora decisiva. Operários, camponeses, soldados e marinheiros, unidos venceremos. A vitória é difícil mas é nossa. A Direcção.Lisboa,25 de Novembro de 1975,às 17h15.”
……………………………………………………………………………………..
Continuação da Intervenção de Duran Clemente
Queria também esclarecer o Povo Português que está preocupado ao ouvir-nos, que nós aqui no Lumiar, estamos perfeitamente bem. MDC
[Nota:o Regimento de Comandos já tinha estado nas proximidades do Colégio Militar, na 2ª circular, e enviou um Capitão para dialogar comigo nas instalações da RTP. Respondi-lhe que perdiam o seu tempo. Tinha vários edifícios com “basucas”, no telhado e as “chaimites” eram reduzidas a pó…A Alameda das Linhas das Torres estava barrada com autocarros da “Eduardo George” e uma confrontação militar seria um desastre.]…[Nesta ocasião já tinha deixado sair toda a Administração da RTP,neutralizada cerca das 15h00, e  presidida pelo então Major M.Pedroso Marques,( que se manteve retida cerca de duas horas nas suas instalações e gabinetes,com televisão e telefones ) e bem assim todos os colaboradores da RTP que tivessem querido sair.  Ninguém foi forçado a permanecer.]
………………………………………………………………….
É provável qua nos silenciem a antena de Monsanto.MDC
Não sabemos o que se passa relativamente a Monsante.Se efectivamente deixarmos de estar nos “ecrâns” é porque a antena de Monsanto foi neutralizada. [O que viria a acontecer depois das 21h00]
Não se trata de neutralização do todo o pessoal que está aqui nos estudos no Lumiar em que, efectivamente, os militares estão aqui mais uma vez pretendendo que a voz dos militares e dos trabalhadores não seja silenciada.
Apelo para a serenidade, para a vigilância revolucionária, inteligente e serena de todos…unidos Venceremos. MDC (19h45)


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

GUINÉ_Bissau -O caminho da Independência de jure" por Jorge Golias (Eng.Transmissões)(

GUINÉ-BISSAU – O CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA “DE JURE”
 por Jorge Golias

O CONTEXTO

Carlos Fabião, o 2º encarregado de governo da Guiné-Bissau, nomeado pelo presidente da Junta de Salvação Nacional, General António de Spínola, chegou a Bissau no dia 7 de Maio de 1974.

Profundo conhecedor da Guiné, onde esteve 6 anos na entourage do General Spínola, foi com surpresa que tomou conhecimento da Guiné diferente que se nos apresentava após o 25 de Abril. Submersa e submetida no tempo da guerra, surgiu então adversa e subvertida.

No dia 26 de Abril, 11 oficiais do MFA depuseram o Governador, General Bettencourt Rodrigues, em virtude de o mesmo não reconhecer a JSN e dar ordens à PIDE para seguir os capitães do MFA nas ruas de Bissau.

O MFA na Guiné-Bissau, que estava pronto a intervir, no caso de falhar o golpe na metrópole, constituindo-se em Plano B do MFA em Portugal, resolveu assim clarificar a situação na Guiné e criar condições para que este território fosse tratado de maneira diferente dos outros em face da declaração de independência feita pelo PAIGC, no dia 24 de Setembro de 1973.

Esta tomada de posição política unilateral foi reconhecida logo por 86 países, mais do que aqueles com os quais Portugal tinha relações diplomáticas e logo apoiada por uma Resolução da ONU, onde se convidava Portugal a abandonar o território. A partir daqui éramos classificados como tropa de ocupação.

À tomada do poder em Bissau seguiu-se a nomeação do Encarregado de Governo, o Tenente-coronel Mateus da Silva, à data comandante do Agrupamento de Transmissões. As funções de Comandante-Chefe passaram a ser desempenhadas pelo Comodoro Almeida Brandão, comandante da defesa marítima.

O primeiro contacto com o novo poder em Portugal foi feito pelo Tenente-coronel Mateus da Silva com o Gen. Spínola, que o felicitou e lhe disse que aguardasse ordens.

Mas a realidade mudava de hora a hora e o novo poder em Bissau, que integrava o MFA como gabinete de Governo, teve que tomar algumas medidas sem cobertura de Lisboa, por se tornarem óbvias e para evitar ser ultrapassado pelos acontecimentos.

Foi o caso da libertação dos presos políticos da Ilha das Galinhas (afinal em Lisboa já se tinha feito o mesmo) e o da recolha ao Campo de Instrução do Cumeré dos PIDES que estavam a ser perseguidos nas ruas de Bissau. A ordem da JSN de integrar os serviços da PIDE nos Serviços de informação militares não tinha justificação na Guiné, por isso se encaminharam para Lisboa.

Na cidade de Bissau, na Segunda-Feira seguinte ao 25 de Abril, dia em que chegou o jornal Expresso com as notícias frescas do clima de liberdade em Portugal, o ambiente alterou-se de imediato e começaram as manifestações reivindicando a independência e dando vivas à JSN e ao PAIGC.

Fotos da manif em Bissau

A DESCOLONIZAÇÃO

O Brigadeiro Carlos Fabião veio acompanhado pelo Tenente-coronel Almeida Bruno e trouxe na mala centenas de fotos do General Spínola para serem distribuídas pela população.

A missão de Carlos Fabião consistia essencialmente em:

-negociar o cessar-fogo;
-tratar o PAIGC com um partido igual aos outros, que Spínola incentivou a se apresentarem em Bissau;
-promover um referendo com vista a uma solução federativa.

Era o “regresso” de Spínola. Fabião fez um discurso de posse, previsível, até na última frase: “Por uma Guiné melhor num Portugal continuamente renovado”. Era a tese de Spínola expendida desde os encontros no Senegal: “Evolução da Guiné para a independência a 10 anos, numa comunidade lusíada”. Mas já era tarde! A Guiné já era independente.
Discutimos esta questão nuclear até às 2 da manhã. Nesta altura, Fabião, já convencido, admitiu que queria era dizer “Por uma Guiné melhor e um Portugal continuamente renovado”. Carlos Fabião, o favorito de Spínola, oficial de grande prestígio, profundo conhecedor da Guiné (onde esteve 6 anos), que dominava o crioulo e conhecia quase todos os combatentes do PAIGC, inteligente, logo compreendeu que a Guiné daqueles dias era outra. Estávamos entendidos. Fabião designou o capitão Sousa Pinto seu ajudante de campo e a mim seu chefe de gabinete.
A Comissão Central do MFA[1] passou a integrar o gabinete de governo. Esta decisão unitária haveria de marcar positivamente o processo até ao fim.
Circulavam boatos de arrasamento de alguns dos nossos Destacamentos militares fronteiriços e apareceu uma circular em todo o TO pedindo negociações imediatas com o PAIGC.
Foto de Fabião
As últimas manifestações deixaram um rasto de violência na cidade: montras partidas, carros vandalizados e lojas saqueadas. De imediato chamámos os dois jovens que as lideravam. O Francisco Fadul (que seria 1º ministro mais tarde) e o Aristides Pereira. Eram contra a violência pós comícios, mas não sabiam como a ultrapassar. Demos-lhes os meios necessários, uma viatura e megafones, e responsabilizámo-los. A violência terminou em Bissau, mas começou noutras localidades. Os jovens líderes passaram a deslocar-se também ao interior e acalmaram os ânimos.
Naqueles dias, se na metrópole era tudo socialista, na Guiné era tudo pró PAIGC! Até os Fulas, que antes estavam contra o PAIGC eram agora os seus maiores defensores!
Entretanto, começou a confraternização das NT com os guerrilheiros do PAIGC. Recebemos em Bissau dezenas de fotos reportando os encontros. Foi algo comovente, mas também preocupante. Os comandantes nada puderam fazer. Foram os soldados de ambos os lados que tomaram estas iniciativas. O cessar-fogo ia-se, assim, materializando, antes dos acordos oficiais. Mais uma vez a realidade no terreno ultrapassava a decisão dos políticos. Quando em 16 de Maio, na reunião de Dakar, se acordou o cessar-fogo, ele já existia no terreno.  
Foto do cap Silva Ramalho – encontro com guerrilheiros
Em Portugal já se gritava “nem mais um soldado para as colónias”. Na Guiné gritava-se pelo “regresso imediato a Portugal”.
Entretanto, nos quartéis, os cabelos começaram a crescer, baixou-se a guarda, e apareceram os primeiros sinais de indisciplina. Ou se tomavam medidas imediatas ou a situação saía fora do controlo. Em meados de Maio determinámos a Estruturação Democrática do MFA nas Unidades, através da eleição de Delegações de oficiais, sargentos e praças. Foi considerada pelos mais conservadores como uma “hierarquia paralela”. Mas foi, outrossim, uma abertura democrática para restabelecer a Hierarquia e a Disciplina, condições “sine qua non” para uma condução eficaz do processo de descolonização.
Mas esta organização só funcionou porque foi alimentada, ou seja, constituímos grupos de contacto que se deslocavam ao interior, levavam informação, que anulava os boatos e deixavam aos camaradas do “mato” a sensação de pertença ao Movimento.
Surgiu então e em força o denominado MPP – “Movimento Para a Paz”, movimento alargado de oficiais, sargentos e praças, liderado pelo alferes Celso Cruzeiro, pugnando pela independência e pelo regresso imediato das tropas a Portugal. Numa prova de força conseguiu reunir em Bissau cerca de 1000 militares (incluindo alguns oficiais superiores).
Na Guiné ia-se reproduzindo o ambiente que se vivia em Portugal. Parecia que a imprensa de Lisboa, à medida que chegava a Bissau, inspirava factos semelhantes aos que relatava. Uma vez mais se nos colocou o problema da unidade. Unidade que era fundamental e que funcionava não só relativamente a Lisboa, mas também, e principalmente, ao PAIGC. A vida do MPP foi efémera, pois em 5 de Junho deu-se a sua integração no MFA.
Em 25 de Maio dá-se a 1ª reunião de Londres entre representantes de Portugal e do PAIGC. O MFA da Guiné só esteve representado na reunião de Dakar.
Entretanto, em 28 de Maio, chegou uma circular da JSN no sentido de o MFA se diluir nas FFAA. A cumprir-se seria um erro crasso. Fabião decidiu a não aplicação desta circular ao caso particular da Guiné, pois ele não abdicava do MFA para o ajudar a resolver os problemas que surgiam constantemente. O MFA era sempre a última instância a que se recorria para resolver todos os problemas militares ou civis como manifestações, reivindicações, casos de polícia, greves etc.
Em 6 de Junho (em simultâneo com a 2ª Reunião de Londres), finalmente, temos notícias dos nossos camaradas do MFA de Lisboa: chega a Bissau uma delegação que integrava o major Melo Antunes, o capitão Pereira Pinto e o comandante Almada Contreiras. Reunimos durante dois dias. Melo Antunes disse que estavam curiosos de conhecer o nosso processo de democratização das FFAA e avaliar a sua eficácia no terreno, eventualmente como exemplo a seguir em Portugal porque estava a grassar a indisciplina nas Unidades, onde se sentia a influência da extrema-direita à extrema-esquerda e até um certo antimilitarismo.
O que viram e ouviram na Guiné deixaram-nos tranquilos e aprovaram e incentivaram a prossecução das nossas políticas. Claramente estavam connosco no objectivo do reconhecimento da independência, mas percebemos que a decisão lhes escapava. Melo Antunes traçou um quadro bastante escuro da situação em Portugal, com o governo demasiado fraco, o PR demasiado forte e a Comissão Coordenadora no meio daquilo, tentando equilíbrios, mas não chegando para as solicitações. Daí o ter falhado uma das suas missões principais que era a da ligação ao Ultramar.
No dia 13 de Junho o brigadeiro Fabião recebeu uma mensagem (secreta e urgente) a mandar apresentar em Lisboa, cinco oficiais do MFA da Guiné[2]. A mensagem tinha como remetente o CEMGFA (general Costa Gomes) e como destinatário para informação o Presidente da República (general Spínola).
Em Lisboa, o capitão miliciano José Manuel Barroso informou-nos de que estávamos acusados de “criar na Guiné um clima de entrega ao PAIGC” e de que o mínimo que nos podia acontecer era ser-nos dada por finda a comissão. Foi, aliás, o que lhe aconteceu a ele.
Na “Cova da Moura” cruzámo-nos com o Vasco Lourenço, que não sabia de nada. Como falámos em alta voz apareceu o Almeida Bruno que se limitou a dizer que “isto não passava de uma tempestade num copo de água”.
Costa Gomes recebeu-nos com surpresa, pois não sabia de nada. Afinal, a mensagem foi feita pelo gabinete de Spínola, mas em nome de Costa Gomes. Fomos ouvidos durante uma semana, várias horas por dia, constantemente interrompidas por assuntos inadiáveis.
No final, usando mais claramente da palavra, fê-lo com estes 6 pontos:
1. As notícias particulares vêm deturpadas pela óptica pessoal;
2. Acredita na irreversibilidade do processo se é verdade aquilo que contámos (PAIGC dominante);
3. Sobre redução das forças por regresso à metrópole, pediu para dizermos ao encarregado de governo que pedisse 2 Batalhões ou mais;
4. Referiu a necessidade de alfabetização dos militares e consciencialização política das NT.
5. A ordem de chamada foi para compreender a desmobilização militar da Guiné;
6. Pediu para se investigar a origem e intenção da notícia dos 40 mortos (notícia falsa que nós ignorávamos).
No final, Costa Gomes, felicitou-nos pelo nosso trabalho e mandou-nos regressar, incentivando-nos a prossegui-lo.

Em 1 de Julho realizámos a 1ª Assembleia Geral do MFA, em Bissau, na qual aprovámos uma moção de apoio ao reconhecimento da independência da Guiné-Bissau e ao reconhecimento do PAIGC como seu interlocutor legítimo, tal como determinava a Resolução da ONU.
Em Lisboa também tudo se encaminhava nesse sentido e o velho general acabaria por ceder e aceitar esta evidência histórica, muito por influência do general Costa Gomes. Assim, em 27 de Julho aparecia, finalmente, a Lei 7/74 – Lei da Descolonização, onde se diz que se aceita a autodeterminação com todas as suas consequências, inclusive a independência.
Mas, pelo caminho, ainda sofremos dois ultimatos de comandantes locais do PAIGC, a Pirada e a Buruntuma. Fabião nomeou o major Ornelas Monteiro, que foi por mim acompanhado, em representação  do MFA. Dos contactos feitos com estes comandantes, no Senegal e na Rep Guiné-Conakri, resultou a anulação dos ultimatos. Estes incidentes, feitos à revelia da vontade das cúpulas do PAIGC, foram atribuídos a intenções de “mostrar serviço” por parte destes comandantes.
Seguiram-se encontros no Cantanhês, de missões do governo local e MFA com representantes do PAIGC, com vista à preparação da transferência de poderes.
Em 29 de Julho fez-se a 2ª Assembleia do MFA na Guiné, que foi mais um reconhecimento ao Brigadeiro Carlos Fabião pela sabedoria, inteligência e coragem da sua conduta neste processo de Descolonização.
Em 26 de Agosto, em Argel, anunciou-se o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, com efeitos a partir de 10 de Setembro, Retirada e Transf




erência de Poderes a 31 de Outubro.
quatro marcas essenciais que justificam o sucesso do MFA na Guiné-Bissau[3]:
- a unidade de pensamento e de acção;
- a preservação da hierarquia e da disciplina nos quartéis, pela adopção da estruturação democrática;
- o facto de o MFA ter integrado o governo e o facto de não ter havido “deserções” para Lisboa na fase crítica do processo;
- a rapidez do mesmo.






 




[1] Na Guiné o MFA elegeu uma Comissão Central com 4 elementos de todos os ramos, sendo 2 do exército, uma Coordenadora por cada Ramo e um secretariado executivo. Os oficiais que integravam estas comissões eram: Comissão Central: tenente-coronel Mateus da Silva, 1º tenente Pessoa Brandão, capitão Jorge Golias, capitão Faria Paulino; Comissão Coordenadora da Armada: 1º tenente Pessoa Brandão, 1º tenente Marques Pinto e 2º tenente Rosado Pinto; Comissão Coordenadora do Exército: capitão Sousa Pinto, capitão Duran Clemente e capitão Jorge Golias; Comissão Coordenadora da Força Aérea: major Sobral Bastos, capitão Faria Paulino e capitão Albano Pinela. No secretariado estavam o 1º tenente Bouza Serrano, o capitão Jorge Alves (FA), o alferes Barros Moura, o alferes João Teixeira e alferes Celso Cruzeiro.
[2] cap Jorge Golias, 1º tenente Bouza Serrano, cap Jorge Alves (FA), alf João Teixeira e alf Barros Moura.
[3] Mário Soares sintetizou assim a descolonização na Guiné: “Foi relativamente fácil porque houve uma forte determinação do MFA na Guiné em cumprir as Resoluções da ONU” – ISCTE – colóquio “Vozes da Revolução”, 16 de Abril de 2010.
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Observação de MDC.
Fotografias de Duran Clemente obtidas na cerimónia do primeiro aniversário da independência da Guiné-Bissau,em Madina do Boé,no dia 24 de Setembro já de 1974.Militares Presentes:Carlos Fabião,Hugo dos Santos ,Faria Paulino e Duran Clemente.A ultima é oferta do Ministro da Comunicação Manecas Santos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

THE SHOCK DOCTRINE

    THE SHOCK DOCTRINE por NAOMI KLEIN
    Em The Shock Doctrine, Naomi Klein explode o mito de que o mercado livre global triunfou democraticamente. A exposição do pensamento, o rastro do dinheiro e as cordas de fantoche por trás das crises de mudar o mundo e as guerras dos últimos quatro décadas, The Shock Doctrine é a emocionante história de como as políticas de "livre mercado" da América passaram a dominar o mundo-- através do exploração das pessoas e dos países a desastres chocado. Na conjuntura mais caótico na guerra civil do Iraque, uma nova lei é revelado que permitiria a Shell ea BP para reivindicar vastas reservas de petróleo do país .... Imediatamente após 11 de setembro, o governo Bush silenciosamente-fontes do funcionamento da "Guerra ao Terror" a Halliburton e Blackwater .... Depois de um tsunami apaga as costas do sudeste da Ásia, as praias imaculadas são leiloados para estâncias turísticas .... moradores de Nova Orleans, espalhados desde o furacão Katrina, descobrem que as suas habitações públicas, hospitais e escolas nunca será reaberto .... Estes eventos são exemplos de "a doutrina de choque": usando desorientação do público seguinte enormes choques coletivas - guerras, ataques terroristas ou catástrofes naturais - para conseguir o controle através da imposição de terapia de choque econômico. Às vezes, quando os dois primeiros choques não conseguem aniquilar a resistência, um terceiro choque é empregado: o eletrodo na cela de prisão ou a arma Taser nas ruas. Com base na pesquisa histórica descoberta e quatro anos de on-the-ground relatórios em zonas de desastre, The Shock Doctrine vividamente mostra como o capitalismo de desastre - o rápido-fogo de reengenharia empresarial das sociedades que ainda se recupera de choque - não começou com 11 de setembro de 2001. O livro traça as suas origens de volta cinquenta anos, para a Universidade de Chicago sob Milton Friedman, que produziu muitos dos principais pensadores neo-conservadores e neoliberais cuja influência ainda é profundo em Washington hoje. Novas conexões, surpreendentes são desenhadas entre a política económica, "choque e pavor" guerra e secretas experiências CIA-financiados em eletrochoque e privação sensorial na década de 1950, a pesquisa que ajudou a escrever os manuais de tortura utilizados hoje em Guantanamo Bay. A Doutrina do Choque segue a aplicação dessas idéias através da nossa história contemporânea, mostrando em detalhe fascinante como os eventos do passado recente well-known foram deliberadas, teatros ativos para a doutrina de choque, entre eles: golpe de Pinochet no Chile em 1973, a Guerra das Malvinas, em 1982, o Tiananmen Massacre da Praça em 1989, o colapso da União Soviética, em 1991, a crise financeira asiática em 1997 e do furacão Mitch em 1998. Edições Internacionais (tradução não muito cuidada)
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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resultados da CDU- Eleições legislativas 2015

Resultados da CDU.
Pelas maldades feitas ao povo trabalhador e ao país,destacando as feitas na Saúde,na Educação,na Segurança Social,no roubo aos idosos,na precarização das gentes,na venda do património,na expulsão dos licenciados e trabalhadores para o estrangeiro... durante todos estes anos e particularmente nos últimos quatro, eu não fico contente que a CDU apenas tenha este nº de votos(e deputados na AR) e que apenas se tenha obtido mais um...e se tenha sido ultrapassado (e se fique muito contente), mas enfim eu sei que sou criticado por querer mais e melhor e achar que alguma auto critica devia existir sobre procedimentos ,não sobre a genuína política do PCP que sempre foi pela liberdade,igualdade e dignidade dos cidadãos. .Para mim não há uma vitória ...desculpem lá...há que melhorar procedimentos e analisar o que não tem estado bem....independentemente dos inimigos e das resistências instaladas e anti-comunistas desde a ditadura e não removidas nestes 41 anos.Não me podem levar a mal sentir isto mas já tive um idiota dum camarada funcionário e responsável a ofender-me!MDC


... eu fui claro ao frisar que a genuína politica do PCP não podia ser traída.Isso para mim é claro.Mas há procedimentos e mensagens que devem ter outro conteúdo e outros destinatários.De resto sabemos bem onde estamos de acordo e quais as dificuldades provocadas por 48 anos de obscurantismo,anti-comunismo primário,o 25 de Novembro e 41 anos de iliteracia politica .MDC


NOTA IMPORTANTE

ESTE ESCRITO É ANTERIOR ÀS ACTUAIS DECISÕES DO PCP EM COLABORAR NUMA PLATAFORMA QUE CORRA COM OS GOVERNOS DE PASSOS COELHO.








sexta-feira, 14 de agosto de 2015

BASIL DAVIDSON E «O FARDO DO HOMEM NEGRO» Por Miguel Urbano Rodrigues


 BASIL DAVIDSON E «O FARDO DO HOMEM NEGRO»
Por Miguel Urbano Rodrigues


Fui amigo de Basil Davidson (1914-2010) e li quase todos os seus livros.
Desconhecia a existência de O Fardo do Homem Negro, cuja tradução em português foi publicada em Luanda no ano 2000*.
Creio ser dos mais importantes. O título é uma réplica irónica ao Fardo do Homem Branco, do escritor inglês Rudyard Kipling, epígono do imperialismo.
Davidson combateu na segunda guerra mundial como oficial do exército britânico. Bateu-se na Jugoslávia e na Itália ao lado dos guerrilheiros  que enfrentavam os ocupantes alemães.
Foi uma personagem fascinante sobre a qual escrevi muitas páginas. Trocamos correspondência durante o meu exilio brasileiro, mas só o conheci em Lisboa, apos o 25 de Abril. A admiração que me inspirava foi prólogo de uma grande amizade.
A sua paixão pela Africa nasceu tarde, mas cresceu torrencialmente. Fez dele, como assinalou a New York Review of Books , «o mais ilustre conhecedor da Africa Negra».
A leitura da sua obra de historiador é hoje indispensável ao conhecimento do doloroso processo de descolonização da Africa Sub –Sahariana.
Não assumiu uma posição de distanciamento. Como escritor, historiador e professor (em Universidades da Inglaterra, dos EUA e da Africa) tomou partido pelos que lutavam no Continente pela liberdade e pela independência dos seus povos.
Que eu saiba foi o único europeu a ser guindado pelos governos de antigas colonias portuguesas a herói da Guiné Bissau, de Cabo Verde, de Angola, de Moçambique.
Nas páginas de O Fardo do Homem Negro sintetiza uma parcela do saber que adquiriu no estudo de um continente humilhado e saqueado.
O Fardo do Homem Negro empurra o leitor para uma reflexão profunda sobre a tragédia de um Continente que durante seculos exportou escravos para a América.
Não há estatísticas credíveis, mas os demógrafos admitem que 19 milhões de homens e mulheres foram arrancados das suas aldeias africanas e transportados como mercadoria para o outro lado do Atlântico. Mais de um terço pereceu durante a travessia nos porões infectos dos navios negreiros.
Terminado o tráfico infamante, a Africa foi partilhada em l884 na Conferência de Berlim como se fosse um gigantesco parque zoológico. Disraeli e Bismark, ao atribuírem territórios densamente povoados a países europeus,  retalharam o Continente quase a régua e compasso, traçando fronteiras que separaram povos com origens, tradições e línguas comuns.
Essas fronteiras, artificiais, não refletem regiões naturais nem os limites de diferentes grupos étnicos.
Os capítulos do Fardo do Homem Negro sobre a descolonização, o nacionalismo e o tribalismo contribuem para  desmentir a historiografia africana  dos colonizadores europeus, iluminando uma Africa desconhecida, muito diferente  da  apresentada por aqueles que a oprimiram e devastaram.
Foi inesperado no apos guerra o vendaval da descolonização, iniciado com a independência de Gana em 1957 e da Guiné Conakry em 1958.
A resistência das burocracias britânica e francesa aos movimentos independentistas foi forte. Em l959,o secretário do Colonial Office declarava em Londres: «não é ainda possível perspectivar uma época em que seja possível a um governo britânico transferir as suas responsabilidades finais pelo destino e pelo bem-estar do Quénia”. O governador da colonia, sir Philips Mitchell, escreveu então: “Como é primitivo o estado destas pessoas (…) como é deplorável o caos espiritual, moral e social em que se encontram».
Mas os quenianos conquistaram a independência em  1963 apos a insurreição armada dos Mau Mau cujo chefe, Jomo Kenniatta,  foi o primeiro presidente da Republica.
Em l957,o governador do Tanganika, sir Edward Twining, definiu como agitador «um tal Julius Nyerere», sugerindo aos funcionários superiores da administração que evitassem contactos com ele e «não o recebessem». Essa a opinião que formara do homem que seria um dos maiores dirigentes africanos da segunda metade do seculo XX.
A Historia desmentiu esses admiradores de Rudyard Kipling.
O Tanganica proclamou a independência em l961, Uganda em l962,o Malawi e Zâmbia em 1964.
A França, envolvida em guerras coloniais no Magreb, acreditou que poderia resistir no Sul à vaga independentista. Projetou criar duas grandes federações que agrupariam as doze colónias da África Ocidental e Equatorial  no âmbito da União Francesa. Esse sonho utópico logo se desvaneceu. Todas essas colonias e Madagáscar proclamaram a independência em l960.
A independência económica não acompanhou, porem, a política.
Ao colonialismo tradicional sucedeu nas jovens repúblicas africanas um neocolonialismo cujos mecanismos de exploração, menos  transparentes, não são menos cruéis.
Atualmente a Africa Sub - Sahariana continua a ser exportadora da riqueza produzida. O volume de capitais saído é muito superior ao total da ajuda recebida, como Davidson lembra no seu livro, apoiado em documentação oficial.
Os governantes africanos que sucederam aos procônsules do colonialismo foram inicialmente, com raras exceções, dirigentes formados em universidades europeias. Essa elite tudo fez para implantar nos seus países os modelos da «democracia representativa» britânica e francesa. Ora nas sociedades africanas inexistiam as classes sociais que na Europa são teoricamente a fonte dos partidos políticos.
Essa opção pelos dirigentes «instruídos e civilizados» ignorou as chefias tradicionais e a riqueza das culturas étnicas africanas, definidas pelos políticos educados em Londres e Paris como tribalistas e retrógradas, incompatíveis com o progresso.
Tremendo erro esse.
A Africa foi até muito recentemente um continente sem História escrita. Cabe a  Basil Davidson o mérito de nos seus livros, ter iluminado o passado esquecido da Africa **que em plena Idade Media construiu estados multinacionais organizados, mais extensos do que as grandes potências da época. Entre outros, Gana, Mali, Songhay e Kanem .
É conhecido o desfecho das fracassadas caricaturas de democracias de modelo ocidental: guerras civis como as da Libéria e Serra Leoa e a de Biafra na Nigéria, e ditaduras sanguinárias lideradas por tiranos como Mobutu, Bokassa e Idi Amin
A tentativa de implantar em Africa o socialismo, esboçada pelos movimentos revolucionários do MPLA, da FRELIMO e do PAIGCV,  também fracassou. Quando os guerrilheiros que haviam combatido com heroísmo o colonialismo português e o imperialismo saíram do mato para as cidades ficou transparente que o projeto programático de partidos que pretendiam aplicar o marxismo na transformação de sociedades arcaicas era utópico. Hoje, a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique estão plenamente integrados no sistema capitalista. Com uma peculiaridade: nos três o capitalismo implantado justifica o qualificativo de «selvagem», diferenciado das fontes que o inspiraram.
Faço minhas a opinião do historiador britânico Eric Hobsbawm: O Fardo do Homem Negro «é um livro de importância maior (…) não é só da África que fala, mas também de etnicidade. de nações e de problemas da vida em sociedade em qualquer parte do mundo.»
*Basil Davidson, O Fardo do Homem Negro, Editora Caxinde, Luanda, 2000.
* *Basil Davidson, A Descoberta do Passado da África,  Sá da Costa, Lisboa,1981 ....................
..........................................................................
NOTA

Basil Davidson  "Angola no centro do Furacão,/Compasso do tempo.Edições Delfos Lisboa1974 .
Livro que me foi oferecido com a dedicatória que se vê na fotografia em  cima.
Manuel Duran Clemente



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ainda a Grécia e a UE....Por Manuel Loff (Público de hoje -sábado 25 Julho 2015)

Ainda a Grécia e a UE....Por Manuel Loff
(Público de hoje -sábado 25 Julho 2015)
Um governo legítimo de um Estado-membro da UE que usa
o euro como moeda pergunta aos cidadãos se estão de
acordo com as medidas que os seus parceiros lhes queriam
impor. Uma maioria muito ampla de cidadãos, superando
amplamente a base política que elegeu o governo, disse
não. Dias depois, o mesmo governo disse ter-se visto obrigado a assinar um acordo que o obrigava a contradizer o essencial do seu compromisso eleitoral. Que lições podemos tirar?
1. A austeridade eurocrática adotou-se,mantém-se e impõe-se contra a
democracia. Concebida como uma nova ordem económica antissocial, pensada
desde o horror a todas as políticas promotoras da igualdade ou da simples
distribuição da riqueza por via fiscal para garantir um mínimo de coesão social
(a ilusão de que o Estado de Bem-Estar poderia, um dia, humanizar o capitalismo),a austeridade não é simplesmente a opção de governos nacionais, no âmbito de uma soberania económica que já não lhes resta. É, na prática, uma imposição europeia (Comissão, BCE, a Alemanha e os seus aliados), adotada num plano supranacional sem qualquer controlo democrático minimamente efetivo, e que, por isso mesmo, se apresenta como ungido de racionalidade técnica (esta ideia de que a austeridade é uma questão técnica, que não discutível no plano político), perante a qual os únicos decisores ainda sujeitos a um mínimo de controlo democrático (os governos nacionais) voluntariamente se declaram impotentes e/ou sem competência para cumprir os compromissos assumidos com os seus eleitores, ou sequer acatar as constituições dos seus próprios países. O euro e o Tratado Orçamental (2012), na forma como evidentemente violentam qualquer forma de autodeterminação dos povos dos Estados que fazem parte da União Económica e Monetária (UEM) dentro da UE e que, como a Grécia, queiram romper com a austeridade, revelaram-se a materialização de um colete de forças político que contraria toda a retórica de que até hoje nos quiseram convencer, a de uma construção europeia baseada na solidariedade, na partilha voluntária de recursos, na superação das disputas económicas, uma união europeia imaginada como base sobre a qual se teria construído a paz eterna no continente...
2 . Podemos regressar a outra Europa?
Um grande número daqueles que se mantêm fiéis à ideia (eu diria ilusão) de que a construção europeia foi, desde os anos 1950, outra coisa muito diferente deste autoritarismo tecnocrático dos nossos dias, cujo preço é pago essencialmente pelos países do Sul, estão cada vez mais incómodos com esta nova ordem imposta por Berlim e Bruxelas, por Merkel/Schäuble, Djisselbloem e Juncker. Falo essencialmente de setores da social-democracia que já não sabem o que pensar da forma como os Hollande, os Gabriel, os Renzi (ou os Sócrates e os Papandreou) adotaram sem reservas as várias componentes (económicas, mas também políticas e culturais) do "There Is no Alternative thatcheriano", sabendo bem que as partilham com toda a direita de que se dizem alternativa... Numa parte considerável da sociedade (sobretudo nessa classe média que se imagina cidadã de uma Europa laica, democrática e respeitadora dos direitos humanos), defende-se o regresso a um projeto europeu perdido, como se Schäuble fosse (e não é) a antítese de tecnocratas como Schuman (o partidário de Pétain em 1940) e Monnet (horrorizado com o controlo parlamentar da política económica). Há que fazer uma reavaliação muito crítica dessa génese profundamente elitista da construção europeia, feita de despotismo esclarecido, e desta conceção e gestão das políticas europeias sempre cheia de preconceito tecnocrático que entende como populista toda a crítica ao europeísmo rançoso e dogmático, que reivindica a soberania democrática onde ela, mal ou bem, ainda se se tem a sensação de se exercer: à escala nacional.
3. Uma lógica neocolonial e assimilacionista.
Voltaram ao debate público alguns dos impulsos essenciais em que se baseou no séc. XIX a dominação imperialista europeia: relações de domínio baseadas na dependência económica (o credor manda no devedor, fazendo-lhe crer que o faz para o bem deste);a naturalização de uma hierarquia de povos e de Estados, divididos entre os que são verdadeiros europeus e os que não passam de candidatos fracassados a sê-lo (os PIGS), que devem ser sujeitos a um processo de assimilação semelhantes aos que as potências coloniais sujeitavam os colonizados; uma relação neocolonial,sob a forma (assumida!) de protetorado económico. Quer-se reescrever toda a história da integração europeia como se a adesão da Europa do Sul tivesse sido resultado de uma ansiedade unilateral dos parceiros do Sul, como se as economias do centro da UE (alemã, francesa, holandesa, italiana, britânica...) não beneficiassem enormemente da liberdade de circulação de capitais, bens transacionáveis e mão de obra barata oriunda de Portugal, da Espanha ou da Grécia (ou da Europa Centro-Oriental)!
A austeridade não é apenas um modelo de política económica, nem sequer conjuntural: ela é um novo regime político e social, uma nova ordem
4. Não há emancipação democrática possível dentro do euro. A austeridade
não é apenas um modelo de política económica, nem sequer conjuntural:
ela é um novo regime político e social,uma nova ordem, a dividadura de que
falam Louçã e Mortágua (A dividadura.Portugal na crise do euro, 2012) ou o Pacto
de Agressão de que fala o PCP. Muitos fora destas duas áreas políticas, e que vêm de dentro da social-democracia e da própria direita mas se reivindicam do conceito de patriotismo democrático, aproximam-se cada vez mais da avaliação de que dentro do euro (ou dentro da própria UEM) não é possível concretizar-se um mínimo de autodeterminação económica: uma maioria democrática pode manifestar-se a favor de uma nova política económica mas os seus
parceiros europeus detêm os instrumentos essenciais para impedir que se cumpra
a sua vontade. Não é confortável nem é fácil dizê-lo, mas parece-me inevitável
assumir que esta Europa, esta moeda, nos impedem de ser livres. Livres de escolher como pagar que dívida, como retomar o desenvolvimento e corrigir 15 anos de injustiças atribuíveis a este projeto de Europa-rica/proto-Europa-pobre. Livres e soberanos — dois conceitos que nem sequer nasceram historicamente com uma revolução socialista mas sim com os liberais e os republicanos do séc. XVIII-XIX. Já tivemos tempo suficiente para percebermos como era idiota julgar que a história se tinha acabado em 1989 para deixarmo-nos convencer agora que ela voltou a acabar — desta vez, na austeridade...
ARIS MESSINIS/AFPM