quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Saudades de SALAZAR? Ignorância ou manipulação

ISTO QUE OS COLETES AMARELOS PORTUGUESES QUEREM
SAUDADES DE SALAZAR
Artur Vaz:
«Hoje vi e ouvi, por uma TV, algumas pessoas a desejarem "um novo Salazar". Pois claro, que, antes do 25 de Abril ,era tudo tão bom, tão bom, que os portugueses ressumavam de felicidade e contentamento. Se não vejamos:
- O PIB per capita a preços constantes, em 1960, era de 3.463 euros;. Muito "mais" que os 16.900 euros de 2016;
- A mortalidade infantil era de 55,5 por mil nascituros, em 1970; muito "menos" que os 2,9 em cada mil nascituros, de 2015;
- Em 1970, sofriam de tuberculose 131,8 portugueses, em cada cem mil; muito "menos" que os 17,7 em cada cem mil, de 2015;
- Em 1970, havia 94 médicos para cem mil habitantes; muito "mais" que os 486 médicos, de 2016;
- Em 1970, eram 159 os enfermeiros para cada cem mil habitantes; muito "mais" que 673, de 2016;
- Em 1970, 25,7% dos portugueses eram analfabetos; muito "menos" que os 5,2%, de 2016;
- Em 1970 havia 49.065 portugueses com o ensino superior completo; muito "mais" que os 1.244.742 que havia em 2013;
- Em 1972, o Estado gastou com a educação de cada português 2,6 euros; muito "mais" que os 695,1 euros, que gastou em 2016...
- Em 1960, a Segurança Social e a CGA pagaram 119.586 pensões (de todos os tipos); muito "mais" que as 3.637.341 pensões, que pagou em 2016...
E depois, para além destas e de outras estatísticas, e da frieza dos números, antes de 1974 como é sabido, os portugueses estavam também felicíssimos por não votarem; por não poderem manifestar as suas ideias e opiniões; por não poderem exercer o livre direito de crítica; por serem presos ou desterrados por motivos políticos; por não os deixarem organizar-se livremente em partidos e outras organizações sociais, culturais e económicas; por serem obrigados a participar numa guerra estúpida e ao arrepio da história; por terem medo até da própria sombra...
Bons tempos aqueles em que "comíamos e calávamos"!..» SUBSCREVO  MDC.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Calúnias ou fake-news

Também entre ex-alunos há mal entendidos


Manuel Talhinhas NAMPULA?
Isso é uma calúnia.Sempre tratei bem os Pilões e não há nenhum sargento ou ex-sargento que me conheça que se refira a mim nesses termos, a não ser por um mal entendido.Se o houve as minhas desculpas.Nunca me esqueci ser filho de um sargento quando entrei no Pilão.Aliás em dois anos em Nampula fui o organizador dos dois aniversários do Pilão - almoços ,jogos de futebol (comércio/industria) e raly-paper ( meu companheiro num dos anos foi o Duarte que ou era sargento ou vinha dessa condição,mais tarde TCoronel foi Presidente da APE e antes tinha sido sargento comigo já capitão na EPAM nos idos de 1965 a 68)...nem sempre os mais novos ou mais velhos conheciam os Sargentos Pilões!!!E as aparências iludem e as desculpas esfarrapadas pelo que fiz em 1973,74 e 75 em prol da Revolução ajudam a perceber certos ódios.Terei sempre gosto ,apesar de tudo a estender-te a mão a ti ou a outro Pilão ou Piloa ,qualquer seja a sua condição. Quem comigo trabalhou na vida militar ou na vida civil sabe isso muitíssimo bem.Os meus maiores amigos do Pilão foram da Indústria...que por estupidez do regime acabavam em sargentos.Estou farto de ser caluniado...e desconsiderado porque quem não devia ser. Quem não sente...?
Duran Clemente  ex   30/1953

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Falecimento do Coronel e Dr Victor Martins Jorge (depoimento para o Referencial -A25A

Ainda como Capitão,Piloto-Aviador, Victor Martins Jorge foi um capitão de Abril erguendo-se nessa época ao estatuto dos corajosos militares libertadores da ditadura e do obscurantismo a que Portugal se viu vetado durante quase cinco décadas. Não obstante foi enquanto, militar activo, digno dos maiores louvores e condecorações como já foi referido. Homem culto e progressista , não traindo os mais fieis princípios, que dignificam o ser humano , foi apanhado na encruzilhada do 25 de Novembro ,suspeito e acusado de algo que não tinha cometido. Não foi o único. Muitos outros tiveram essa chancela. Na condição de exilados encontrámo-nos em Luanda, aguardando pela justiça, em Portugal, e que viria a ser-nos feita e iniciada após seis meses quando juntos, com mais três militares milicianos, regressámos a Lisboa em Setembro de 1976.No nosso convívio, pessoal e familiar na capital de Angola, estreitamos laços de amizade que se tornariam permanentes. Homem Bom e de sólido Carácter procurou nos contactos com profissionais juristas o conhecimento especifico, para defesa dos camaradas de armas na mesma condição ,apaixonando-se pela matéria que o levaria a licenciar-se em Direito, na Universidade Clássica de Lisboa. Nos muitos encontros, tidos ao longo dos anos, marcados pela sã saudade e/ou nostalgia passadas cimentou-se, ainda mais, o afecto que não morre. Continua vivo no coração dos verdadeiros amigos do que agora era Coronel PilAv Reformado e Dr. o nosso Victor Martins Jorge. Até sempre. Manuel Duran Clemente   Dezembro de 2018

 

 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Contra a campanha anti-militar/ Folhetim de Tancos


Contra a campanha anti-militar/ Folhetim de Tancos
Sou contra a onda anti militar e não confundo a árvore com a floresta....desde o 25 de Abril que existe numa parte da sociedade civilista - pouco cívica- uma tendência para a generalização de erros ou falhas de militares.Espanta como se noutros sectores não tenha havido falhas e erros bem gravosos.....Fui,como militar, sempre contra excessos e procurei ser exemplo para muitos militares, de todas as categorias com que tratei ,incluindo-me como instrutor na EPAM e 2ºGrupo de Companhias de Administração Militar e em duas comissões em Africa /Moçambique e Guiné...tendo obtido no pouco tempo condecorações e louvores de oficiais generais (5).A carreira militara é digna se servir as populações ,o que infelizmente não acontecia (obrigados) na ditadura,mas há muitas provas dessa dignidade e civismo.Foi sempre possível mesmo em guerra.O que se passa hoje, com os meios de comunicação a "bater" nas FFAA e na PJM, é bastante resquício do ódio que têm aos militares (de Abril) ,como instituição libertadora em 1974.Muito haverá a dizer neste e noutros momentos no que é "traduzido" por certos civis (C.S.) (ou militares distraídos) com balas desenquadradas e com análises superficiais a rondar omissões,logo pouco ou nada cívicas. MDC.
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Maria Teresa Soares Soares Talvez se tivesse acabado de ler e ouvido o que eu tenho ouvido ficasse com dúvidas sobre a competição entre Policia de Justiça Militar e Policia Judiciária,o envolvimento irracional a que constantemente somos estimulados e tivesse necessidade de dar credibilidade ao seu (e de milhares de militares)brio,profissionalismo e ética.
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... no meu entender o Manuel Duran Clemente não é uma pessoa comum. Ninguém dúvida das suas qualidades profissionais nem são para aqui chamadas. É como na minha profissão de antiquária também ouço o que ninguém quer ouvir, mas nem tujo nem mujo. Nada me pesa na consciencia. Agora quando acontece o que aconteceu com Tancos, cuidado.
Aí estamos conversados.MTSS.
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Manuel Duran Clemente Maria Teresa Soares Soares Nem todos dão crédito a militares comuns ou não comuns.Se fui buscar os galões foi apenas porque não tenho receio da minha auto-estima e tenho de sublinhar o que fiz como militar e me orgulha Como militar comum e como militar na génese da Revolução...da qual fui expulso ...por militares muitíssimo comuns!!!!Abraço.PS.Não os quererei nunca confundir com as FFAA ,como eu as penso,desde os dez anos.
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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

THE POST...saber pensar .Não à manipulação

Falta saber PENSAR...manipulação e desenvolvimento
THE POST um filme para ver e pensar . Pensar como as manipulações se fazem e como há patriotas que sabem lutar contra a mentira.Lá estão no filme de Spielberg...
Claro que, ao acabar de ver hoje este filme, me vou recordando dos tempos das mentiras que justificavam as ditas "guerras justas"- como a guerra colonial - .Como os defensores do colonialismo e do enriquecimento das industrias de armamento se agremiavam para provocar a morte e desgraça entre os povos. Entre os que defendiam a sua Liberdade e os que desgraçadamente eram manipulados pelo poder, para imporem a sua vontade, ceifando vidas de milhares ou de milhões de jovens.
Ao dizer isto não ponho em causa os combatentes que no fim da linha eram obrigados,pelo Poder, a matar para defender as suas vidas.São duas questões distintas que hoje alguns se propõem narrar de forma simplista confundido puro Colonialismo assassino com gestas heróicas individuais ou colectivas.Estas gestas são o que são se forem objectivamente descritas mas jamais branqueiam os horrores dos Colonialismos em nome do quer que sejam.
O nosso 25 de Abril acabou com um certo colonialismo mas o que sentimos hoje é a forte e nojenta manipulação dos meios de comunicação que quanto mais mentem ou deturpam mais vendem...porque durante estes 44 anos de DEMOCRACIA esta não conseguiu construir alicerces de desenvolvimento cultural suficientemente eficazes para colocar as pessoas a raciocinarem sobre o fundo das questões,a não se deixarem adormecer pelo diletantismo bacoco e populista. Há muito menos analfabetos (a taxa de 1974 era de cerca de 40% de analfabetismo,hoje estará nos 5% )!!!Falta saber PENSAR...!!!

domingo, 26 de novembro de 2017

O 25 DE NOVEMBRO E OS REMORSOS MAL-RESOLVIDOS


O 25 DE NOVEMBRO E OS REMORSOS MAL-RESOLVIDOS DO MAJOR SOUSA E CASTR0 por Jorge CG

(um comentário de Jorge CG que merece ficar registado no meu blogue)

Num artigo, que se põe nos comentários a esta minha ‘postagem’ para consulta de quem o queira (até começar) por fazer, o Major Sousa  Castro (SC) tenta justificar perante si mesmo a escolha errada que fez em 1975. Os erros em si são humanos e até posso fazer fé que SC tenha sido sincero nas suas opções. Mas 42 anos depois a verdade Histórica merece ser reposta, como analisadas as suas consequências. Fugir à responsabilidade das opções feitas, mesmo que o fossem em nome e um “mal menor”, ilude quem quiser, a começar pelos remorsos do próprio, m as não torce a verdade dos factos. É aquilo a que, do ponto de vista da psicologia, Freud chamou um “transfer”: SC alija as suas opções para as costas de uma narrativa fixionada, na medida em que a História que não chegou a ser não se compadece como justificação para a História que é e os factos que lhe deram origem.
A argumentação de SC assenta nesse mesmo sofisma. Começa por considerar – como se de um meta-leninista e ortodoxo se tratasse – que o rumo da História é determinável, mesmo nas coordenadas do que se não deu e se desconhece em absoluto como seria. Mais: cujos acontecimentos ulteriores vêm até pôr em causa certas “deduções” de “inevitabilidades” do “ou isto ou aquilo”. SC maquilha o 25 de Novembro (e o próprio Documento dos 9, que subscreveu) com a presunção de que se não tivessem os acontecimentos tomado aquele rumo teríamos caído no totalitarismo (refere-se ao modelo da União das Repúblicas Socialistas “Soviéticas”) ‘versus’ democracia ‘in abstracto’. Quando, pelo caminho, ruiu o modelo da URSS e a chamada ‘Democracia’ deu no que deu. Confesso que se as sociedades se resolvessem por ‘votos’ (como SC resume a questão da Democracia, no modelo de voto singular para representatividade e legitimidade política de terceiros, porque pode votar-se segundo outras formas de organização de escolha e sem sujeição à manipulação de opiniões e ao estreitamento de escolhas orgânicas) eu teria imensa dificuldade em escolher entre os males da URSS e os males do capitalismo imperialista contemporâneo. Mas a questão central é outra. É que nada prova que seria de uma maneira ou outra. Mais: há dados, na base das hipóteses, que até contrariam essa mesma hipótese em que SC se escuda para fugir do que o espelho da História lhe devolve.
Quer o declínio económico da URSS (que até explicará algumas inflexões do próprio PCP nessa mesma data, mas que não são agora para aqui chamadas), quer a própria natureza específica do PCP (apesar da sua dependência orgânica e material à URSS, mas, ainda que discretamente, muito crítico da adopção do modelo da URSS para Portugal), mesmo que se reduzisse (por absurdo) o 25 de Novembro ao confronto entre o PCP e os restantes partidos parlamentares, com uns ‘tontinhos idealistas’ pelo meio (como insinua SC). não teríamos tido nunca o decalque do modelo da URSS. Mais: a implosão do modelo da URSS era bem provável que fosse até acelerado, dando origem a coisa diferente do que a continuidade de oligarquias e destruição do Estado, formação de máfias e rendição incondicional de Ietlsine ao imperialismo norte-americano, cuja recuperação na própria Rússia de tal decadência ainda hoje não foi totalmente resgatada. Mas adiante, que não é da URSS em si que se quer falar: caiu por seus erros e pronto. Mas o que se quer salientar é que o caminho universal, a partir da Europa, poderia ter sido outro se o 25 de Novembro em Portugal outro desfecho tivesse tido. Desde logo porque não iria sequer o PCP “tomar o Poder”, muito menos replicar a URSS ou as “democracias populares” (esse tal determinismo meta-leninista de SC enjeita o mais basilar do próprio marxismo: “os acontecimentos histórios repetem-se, mas da segunda vez como farsa”). A multicomposição (nas FFAAA e nas classes trabalhadoras e do próprio empresariado de pequena dimensão) da sociedade portuguesa, o “arrastamento” previsível de transformações em dominó na Europa, a começar na Espanha, mas a ter larga influência no resto da Europa, seria bem provável que não se fixasse no Muro de Berlim e “contaminasse” no melhor dos sentidos a “Europa de Leste”. A reconversão de políticas capitalistas agressivas a modelos cada vez mais keynesianos, a centralidade que a social-democracia (de Olof Palm, não “outra”) ganharia como charneira, a queda de monopólios e muitos outros fenómenos de par com a evolução de um processo revolucionário (não sangrento) em Portugal, era bem mais provável que desse origem a um Mundo muito mais interessante do que o da “sovietização” da Europa, talvez mesmo da sovietização (sem comas) moderada de uma Europa até aos Urais, com repercussões mundiais, até pelos novos equilíbrios geoestratégicos.
Mas isto é tudo no capítulo dos “talvez”, dir-se-á. Sim, é. Como diz Pacheco Pereira – bem, acho eu - “a História é das coisas mais caóticas que há”. E se o é, tanto o é verdade para estas hipóteses quanto para as de SC, muito mais simplistas, reducionistas e de visão curta no campo da capacidade de olhar a História para á do que é presente ou passado, hoje só mesmo passado. O 25 de Novembro de 1975, mais do que “travar” um processo HIPOTETICAMENTE perigosamente totalitário foi um processo de “travar” REALMENTE uma experiência revolucionária única, singular e cujas consequências teriam, isso sim é certo, um enorme prejuízo à sobrexploração que hoje se vive no Mundo e à completa distorção da mais elementar Democracia mesmo que se não queira falar senão dentro das nossas fronteiras.
SC conclui que o 25 de Novembro, pese aquilo que ele “reconhece” como retrocessos tremendos (em que enaltece os esforços, verdadeiros, de Eanes, Lourenço e Antunes para evitar maiores danos), acabou por permitir cumprir o 25 de Abril, em nome da tal “devolução da soberania” ao Povo Português que o MFA trouxe. E isso é uma falácia, por assim dizer para contornar a palavra mentira. O 25 de Novembro não devolveu soberania popular nenhuma a que o 25 de Abril abrira as portas. Não só não se cumpriram muitos e muitos dos aspectos da Democracia (que o próprio Manifesto do MFA não resumia ao “voto eleitoral” e no modelo da “democracia” Ocidental), como a própria soberania política nunca foi tão dominada pelo estrangeiro como agora, pelo menos se recuarmos até 1640. O 25 de Novembro interrompeu processos genuinamente democráticos nos campos da Economia, do Conhecimento e da Participação Popular. E a própria “Democracia” Ocidental involuiu para formas de autoritarismo, ‘austeritarismo’ e autismo político nunca antes c vistos, cuja expressão mais caricatural se assume na eleição de um Trump como Presidente dos Estados Unidos da América e se reflecte no crescimento da extrema-direita Europa fora…
A 24 de Abril de 1974, a distribuição da riqueza nacional entre o mundo do trabalho e o do capital era de, respectivamente, 40% ‘versus’ 60% (a inversa da então média da Europa Ocidental). A 24 de Novembro de 1975 ultrapassara um poucos, respectivamente, os 65% versus 35%. A 26 de Novembro de 2017 é, calcula-se de 30% ‘versus’ 70%... Foi esta a consagração das “promessas” do 25 de Abril a que SC se refere também? É desta “regeneração da Pátria para a defesa da Democracia e da Liberdade” do 25 de Abril de que SC se orgulha? Ou são os remorsos a falar pela boca da delusão?
SC, se está a falar com sinceridade – e eu quero crer que sim -, deveria recorrer preferentemente ao divã da sua memória política. Deve enfrentar os fantasmas que oculta dos encontros com Carlucci e das permissividades com o ELP, o MDLP e o fechar de olhos ao retorno de ex-Pides a um novo activismo político no chamado “Verão Quente”. Se quiser ser sério consigo mesmo, em vez de se esconder no biombo desse meta-leninismo analítico da História usado em nome de combate à sociedade iniciada por Lenine, assume os erros (sem que tenha sequer de significar que hoje trocaria de barricada simplesmente) porque errar é humano, mas não faça da sua própria vergonha areia para iludir incautos. Os métodos mais sofisticados – para gente mais esclarecida – de um argumentário que entronca no dos comunistas que davam injecções nas orelhas aos velhinhos” não colhe de todo. E no caso do 25 de Novembro em Portugal muito menos: não se tratou tão-pouco de “escolher entre o comunismo e o imperialismo”, mas tão só o de estar com os trabalhadores em demanda de um processo novo e original de luta contra o imperialismo ou vergar a este em nome de medos induzidos.
O 25 de Novembro não é uma rota de correcção de excessos ou descaminhos num processo revolucionário. O 25 de Novembro, ao contrário do que SC afirma, é a data do assassinato do 25 de Abril.
A argumentação de SC assenta nesse mesmo sofisma. Começa por considerar – como se de um meta-leninista e ortodoxo se tratasse – que o rumo da História é determinável, mesmo nas coordenadas do que se não deu e se desconhece em absoluto como seria. Mais: cujos acontecimentos ulteriores vêm até pôr em causa certas “deduções” de “inevitabilidades” do “ou isto ou aquilo”. SC maquilha o 25 de Novembro (e o próprio Documento dos 9, que subscreveu) com a presunção de que se não tivessem os acontecimentos tomado aquele rumo teríamos caído no totalitarismo (refere-se ao modelo da União das Repúblicas Socialistas “Soviéticas”) ‘versus’ democracia ‘in abstracto’. Quando, pelo caminho, ruiu o modelo da URSS e a chamada ‘Democracia’ deu no que deu. Confesso que se as sociedades se resolvessem por ‘votos’ (como SC resume a questão da Democracia, no modelo de voto singular para representatividade e legitimidade política de terceiros, porque pode votar-se segundo outras formas de organização de escolha e sem sujeição à manipulação de opiniões e ao estreitamento de escolhas orgânicas) eu teria imensa dificuldade em escolher entre os males da URSS e os males do capitalismo imperialista contemporâneo. Mas a questão central é outra. É que nada prova que seria de uma maneira ou outra. Mais: há dados, na base das hipóteses, que até contrariam essa mesma hipótese em que SC se escuda para fugir do que o espelho da História lhe devolve.Quer o declínio económico da URSS (que até explicará algumas inflexões do próprio PCP nessa mesma data, mas que não são agora para aqui chamadas), quer a própria natureza específica do PCP (apesar da sua dependência orgânica e material à URSS, mas, ainda que discretamente, muito crítico da adopção do modelo da URSS para Portugal), mesmo que se reduzisse (por absurdo) o 25 de Novembro ao confronto entre o PCP e os restantes partidos parlamentares, com uns ‘tontinhos idealistas’ pelo meio (como insinua SC). não teríamos tido nunca o decalque do modelo da URSS. Mais: a implosão do modelo da URSS era bem provável que fosse até acelerado, dando origem a coisa diferente do que a continuidade de oligarquias e destruição do Estado, formação de máfias e rendição incondicional de Ietlsine ao imperialismo norte-americano, cuja recuperação na própria Rússia de tal decadência ainda hoje não foi totalmente resgatada. Mas adiante, que não é da URSS em si que se quer falar: caiu por seus erros e pronto. Mas o que se quer salientar é que o caminho universal, a partir da Europa, poderia ter sido outro se o 25 de Novembro em Portugal outro desfecho tivesse tido. Desde logo porque não iria sequer o PCP “tomar o Poder”, muito menos replicar a URSS ou as “democracias populares” (esse tal determinismo meta-leninista de SC enjeita o mais basilar do próprio marxismo: “os acontecimentos histórios repetem-se, mas da segunda vez como farsa”). A multicomposição (nas FFAAA e nas classes trabalhadoras e do próprio empresariado de pequena dimensão) da sociedade portuguesa, o “arrastamento” previsível de transformações em dominó na Europa, a começar na Espanha, mas a ter larga influência no resto da Europa, seria bem provável que não se fixasse no Muro de Berlim e “contaminasse” no melhor dos sentidos a “Europa de Leste”. A reconversão de políticas capitalistas agressivas a modelos cada vez mais keynesianos, a centralidade que a social-democracia (de Olof Palm, não “outra”) ganharia como charneira, a queda de monopólios e muitos outros fenómenos de par com a evolução de um processo revolucionário (não sangrento) em Portugal, era bem mais provável que desse origem a um Mundo muito mais interessante do que o da “sovietização” da Europa, talvez mesmo da sovietização (sem comas) moderada de uma Europa até aos Urais, com repercussões mundiais, até pelos novos equilíbrios geoestratégicos.Mas isto é tudo no capítulo dos “talvez”, dir-se-á. Sim, é. Como diz Pacheco Pereira – bem, acho eu - “a História é das coisas mais caóticas que há”. E se o é, tanto o é verdade para estas hipóteses quanto para as de SC, muito mais simplistas, reducionistas e de visão curta no campo da capacidade de olhar a História para á do que é presente ou passado, hoje só mesmo passado. O 25 de Novembro de 1975, mais do que “travar” um processo HIPOTETICAMENTE perigosamente totalitário foi um processo de “travar” REALMENTE uma experiência revolucionária única, singular e cujas consequências teriam, isso sim é certo, um enorme prejuízo à sobrexploração que hoje se vive no Mundo e à completa distorção da mais elementar Democracia mesmo que se não queira falar senão dentro das nossas fronteiras.SC conclui que o 25 de Novembro, pese aquilo que ele “reconhece” como retrocessos tremendos (em que enaltece os esforços, verdadeiros, de Eanes, Lourenço e Antunes para evitar maiores danos), acabou por permitir cumprir o 25 de Abril, em nome da tal “devolução da soberania” ao Povo Português que o MFA trouxe. E isso é uma falácia, por assim dizer para contornar a palavra mentira. O 25 de Novembro não devolveu soberania popular nenhuma a que o 25 de Abril abrira as portas. Não só não se cumpriram muitos e muitos dos aspectos da Democracia (que o próprio Manifesto do MFA não resumia ao “voto eleitoral” e no modelo da “democracia” Ocidental), como a própria soberania política nunca foi tão dominada pelo estrangeiro como agora, pelo menos se recuarmos até 1640. O 25 de Novembro interrompeu processos genuinamente democráticos nos campos da Economia, do Conhecimento e da Participação Popular. E a própria “Democracia” Ocidental involuiu para formas de autoritarismo, ‘austeritarismo’ e autismo político nunca antes c vistos, cuja expressão mais caricatural se assume na eleição de um Trump como Presidente dos Estados Unidos da América e se reflecte no crescimento da extrema-direita Europa fora… A 24 de Abril de 1974, a distribuição da riqueza nacional entre o mundo do trabalho e o do capital era de, respectivamente, 40% ‘versus’ 60% (a inversa da então média da Europa Ocidental). A 24 de Novembro de 1975 ultrapassara um poucos, respectivamente, os 65% versus 35%. A 26 de Novembro de 2017 é, calcula-se de 30% ‘versus’ 70%... Foi esta a consagração das “promessas” do 25 de Abril a que SC se refere também? É desta “regeneração da Pátria para a defesa da Democracia e da Liberdade” do 25 de Abril de que SC se orgulha? Ou são os remorsos a falar pela boca da delusão? SC, se está a falar com sinceridade – e eu quero crer que sim -, deveria recorrer preferentemente ao divã da sua memória política. Deve enfrentar os fantasmas que oculta dos encontros com Carlucci e das permissividades com o ELP, o MDLP e o fechar de olhos ao retorno de ex-Pides a um novo activismo político no chamado “Verão Quente”. Se quiser ser sério consigo mesmo, em vez de se esconder no biombo desse meta-leninismo analítico da História usado em nome de combate à sociedade iniciada por Lenine, assume os erros (sem que tenha sequer de significar que hoje trocaria de barricada simplesmente) porque errar é humano, mas não faça da sua própria vergonha areia para iludir incautos. Os métodos mais sofisticados – para gente mais esclarecida – de um argumentário que entronca no dos comunistas que davam injecções nas orelhas aos velhinhos” não colhe de todo. E no caso do 25 de Novembro em Portugal muito menos: não se tratou tão-pouco de “escolher entre o comunismo e o imperialismo”, mas tão só o de estar com os trabalhadores em demanda de um processo novo e original de luta contra o imperialismo ou vergar a este em nome de medos induzidos.O 25 de Novembro não é uma rota de correcção de excessos ou descaminhos num processo revolucionário. O 25 de Novembro, ao contrário do que SC afirma, é a data do assassinato do 25 de Abril.» JORGE CG

sábado, 25 de novembro de 2017

25 de novembro :um acto fratricida.





25 de novembro :um acto fratricida.

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Um acto inútil e divisionista que fez erguer ,não os sonhos que referes, mas os pesadelos vividos ao longo de 40 anos.E não é tudo....MDC.
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Respondendo ao meu camarada de armas Rodrigo Sousa Castro.(ver o seu comentário que partilho em baixo)
O que está errado é dizer-se que os militares "ditos vencidos" queriam, cito Rodrigo Sousa Castro, « do outro lado ....aqueles que preconizavam um modelo de sociedade do tipo das democracias populares dos estados totalitários do leste europeu, acompanhados por outros cujo impulso revolucionário os levava a quererem estabelecer um sistema puro e utópico de poder popular.»Justificação frágil e várias vezes rebatida. De facto para alem dos resultados da reunião do Comité Central do PCP em Agosto /75 ,em que Alvaro Cunhal declarou que não havia lugar a aventuras militares para instalar o quer que fosse a não ser defender as CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO (estabelecidas em 25 A. pelo Programa do MFA e ,durante o chamado PREC, em mais de 200 despachos/Decretos -Leis,sobretudo dos governos de Vasco Gonçalves, ) É portanto falso que fosse o 25 de Novembro que estabeleceu as bases da Democracia em Portugal.Tudo uma falácia para justificar o ataque por quem não gostava da liberdade que se vivia e que não entende que na essência da democracia estaria o "PODER POPULAR" o poder das pessoas e não o poder de certos políticos que defendem outros caminhos (os interesses dos poderosos e do neo-liberalismo com várias capas enganadoras) menos os interesses das pessoas. e bem como dizes a seguir ao 25 de Novembro e à aprovação da Constituição de 1976 (como bem diz Pezarat Correia) surgiram todos os meses e anos os ataques contra-revolucionários (e contra a Constituição)e os "militares de Abril/Novembro, não fizeram outro 25 de Novembro....contra a subversão desse percurso e deu no que tu acabas por declarar no final do teu comentário: «Mas o sonho mais profundo e genuíno dos capitães de Abril, o sonho de uma Sociedade Justa e Fraterna, o sonho da Felicidade para o Povo, esse , não foi enterrado , como muitos dizem pelo acto patriótico do 25 de Novembro de 1975, esse foi apreendido, enclausurado e destruído de forma sistemática, por quem se apossou dele e dos direitos dos portugueses.
Os acontecimentos de anos recentes, em que fica cabalmente demonstrado a falência politica da cleptocracia que tem mandado no País e a falência da dita sociedade civil e de parte das suas elites, convoca-nos a todos, para a regeneração da Pátria e para a defesa da Democracia e da Liberdade»(RSC).És tu que o dizes e isso é verdade...o que torna de facto o 25 de Novembro um acto fratricida,entre militares de Abril,escusado e que só nos dividiu sem bons resultados e ainda com a agravante de afastar da RTP,da EN,do DN ,do Século.da Capital e de outros órgãos... 152 jornalistas ou equiparados, o que veio reflectir-se na falta de qualidade e de seriedade da comunicação social dos dias de hoje.Por isso para muitos de nós o 25 de Novembro foi um acto tudo menos patriótico.Um acto inútil e divisionista que fez erguer ,não os sonhos que referes, mas os pesadelos vividos ao longo de 40 anos.E não é tudo....MDC.
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O que diz Sousa Castro:
«O 25 DE NOVEMBRO DE 1975
Passam hoje 42 anos sobre uma data dramática para o Povo Português.
Nesse dia, através da Força Armada, as forças politicas emergentes do derrube da ditadura , procuravam impor os seus projectos, no acto final de uma disputa que se tinha prolongado pelo verão ( chamado Verão Quente) de 1975..
De um lado as que queriam construir uma sociedade democrática e um Estado de Direito no modelo vigente na Europa Ocidental, do outro lado aqueles que preconizavam um modelo de sociedade do tipo das democracias populares dos estados totalitários do leste europeu, acompanhados por outros cujo impulso revolucionário os levava a quererem estabelecer um sistema puro e utópico de poder popular.
E ironia do destino, alguns dos que durante a ditadura sempre clamaram por eleições livres, e por elas tinham lutado e sofrido passam então as desvaloriza-las em função de estratégias alternativas de assalto ao Poder.
Perante esta disputa, as Forças Armadas dividiram-se e chegaram ao confronto físico.
Os militares vencedores , foram apoiados pelos partidos que até há dois anos atrás se reclamavam da exclusiva legitimidade para governar ( arco da governação, como diziam, PS-PSD -CDS).
Os vencedores se declinaram o poder do momento e executaram de forma ordenada e genuína a entrega do poder aos representantes eleitos do Povo, não se coibiram de praticar uma politica persecutória e em muitos casos injusta para com os militares vencidos, que só muitos anos mais tarde foi parcialmente reparada. Essa politica atingiu também de forma discriminatória muitos quadros civis e ameaçou mesmo um retrocesso dramático do processo de democratização , parado por três homens cuja História se encarregará de reconhecer Ramalho Eanes, Melo Antunes e Vasco Lourenço.
Mas o que ficou dessa disputa fraticida foi o cumprimento integral da palavra dos capitães que em 25 de Abril de 1974 prometeram ao Povo a Liberdade e o exercício pleno da sua Soberania. Palavra dada e cumprida com o acto final da revisão constitucional de 1982 e a retirada total do poder militar da esfera politica.
Podemos hoje perguntar-nos, o que resta dessa acção patriótica e generosa.
O exercício das liberdades públicas o progresso material inevitável face ás novas condições criadas, é certo.
Mas o sonho mais profundo e genuíno dos capitães de Abril, o sonho de uma Sociedade Justa e Fraterna, o sonho da Felicidade para o Povo, esse , não foi enterrado , como muitos dizem pelo acto patriótico do 25 de Novembro de 1975, esse foi apreendido, enclausurado e destruído de forma sistemática, por quem se apossou dele e dos direitos dos portugueses.
Os acontecimentos de anos recentes, em que fica cabalmente demonstrado a falência politica da cleptocracia que tem mandado no País e a falência da dita sociedade civil e de parte das suas elites, convoca-nos a todos, para a regeneração da Pátria e para a defesa da Democracia e da Liberdade»Rodrigo Sousa Castro.25 Novembro de 2017.